Bolsonaro se irrita em bate-boca entre secretário de Cultura e ministro do Turismo

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BRASÍLIA - A constante tensão entre o ministro do Turismo, Gilson Machado, e o secretário especial de Cultura, Mario Frias, explodiu em uma discussão diante do presidente Jair Bolsonaro há duas semanas no gabinete localizado no terceiro andar do Palácio do Planalto. Com dos ânimos exaltados dos auxiliares e pressionado para resolver o litígio, Bolsonaro teve que mandar os dois “calarem a boca”, segundo relatos ao GLOBO. Diversos assessores presenciaram o desentendimento.

A Secretaria Especial de Cultura é subordinada ao Ministério do Turismo, o que incomoda Frias, que vem pedindo mais autonomia para trabalhar com sua equipe. O bate-boca, segundo apurou o GLOBO, começou quando o secretário levou o tema diretamente a Bolsonaro, e o ministro reagiu negativamente. Procurados, Gilson Machado e Mario Frias não se pronunciaram.

Entre os pedidos apresentados ao presidente, o secretário quer que a Cultura tenha uma Consultoria Jurídica (Conjur) própria sob o argumento que os pareceres emitidos pelo departamento único do Ministério do Turismo impedem mudanças nas diretrizes das políticas culturais.

Frias e seu braço-direito, o subsecretário de Incentivo e Fomento à Cultura, André Porciuncula, são acusados de promover um desmonte na Cultura por razões ideológicas. Pessoas a par da disputa, em caráter reservado, afirmam que a cúpula da secretaria faz propostas baseadas em “ilegalidades” e, portanto, cabe ao Conjur alertar o ministro sobre os riscos .

Outra reinvindicação de Frias é que ele passe a fazer a gestão dos recursos da secretaria. Atualmente, todos os gastos da Cultura precisam ser carimbados pelo Ministério do Turismo, incluindo viagens e eventos. Segundo interlocutores, Frias acusa o ministro de controlar a agenda de prioridades em benefício próprio.

Integrantes do governo veem no duelo uma disputa por visibilidade e prestígio. Tanto o secretário quanto o ministro têm projetos eleitorais para 2022. Frias sonha em disputar uma vaga na Câmara por São Paulo, enquanto Machado é cotado pelo próprio presidente para disputar uma vaga no Senado.

A briga é ápice de um desentendimento que se acumula desde que Machado assumiu a pasta em dezembro do ano passado. Frias já havia tido atrito com o ministro anterior, Marcelo Álvaro Antonio, também por mais autonomia. Na época, o secretário saiu vitorioso e ficou com o comando de órgãos como Funarte, Ancine, Iphan e Fundação Palmares.

A gestão de Frias também é acusada por dirigentes estaduais, municipais, produtores culturais e até mesmo internamente de controlar a liberação de recursos da Lei Rouanet por razões ideológicas. Nas últimas semanas, Frias e seu principal auxiliar tem feito oposição também ferrenha à Lei Paulo Gustavo, que aumentaria o repasse de recursos para projetos do audiovisual, proposta feita pela bancada do PT no Senado.

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