Bolsonaro será investigado por incitar atos golpistas no DF, decide STF

A investigação mira os "autores intelectuais" e incentivadores dos ataques

Bolsonaro será investigado pelo Supremo como um dos
Bolsonaro será investigado pelo Supremo como um dos "autores intelectuais" e incentivadores dos atos golpistas de ataques aos prédios do STF, Congresso e Planalto. (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

A pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República), o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu investigar o ex-presidente Jair Bolsonaro no inquérito dos atos terroristas e golpistas de 8 de janeiro, em Brasília (DF).

A investigação mira os "autores intelectuais" e incentivadores dos ataques aos prédios do STF, do Congresso e Palácio do Planalto. O pedido da PGR foi protocolado por volta das 18h30 desta sexta-feira (13), e aceito pelo Supremo às 21h.

Essa é a primeira vez que Jair Bolsonaro é incluído oficialmente em uma apuração relacionada aos atos de terrorismo protagonizados por uma minoria de bolsonaristas radicais.

A solicitação foi feita após 80 integrantes do Ministério Público Federal solicitarem ao procurador-geral da República, Augusto Aras, a investigação Bolsonaro por suspeita de incitação pública à prática de crime.

Os procuradores entenderam que o ex-presidente é suspeito de ter cometido este crime após ter postado, na terça-feira (10), um vídeo questionando a regularidade das eleições e apagado depois.

Como se organizaram os atos terroristas em Brasília? A linha do tempo interativa abaixo te mostra, clique e explore:

Obras de arte foram destruídas, itens roubados e o prejuízo ainda é calculado pelas autoridades. Veja a lista completa de obras destruídas nos ataques. Até o fim da segunda (10), pelo 1.500 envolvidos no episódio já haviam sido presos.

Desde que foi derrotado, Bolsonaro se manteve recluso no Palácio da Alvorada e evitou declarações públicas. Ataques diretos contra o sistema eleitoral e ministros do Supremo — como ele fez frequentemente durante seu mandato — também passaram a ser evitadas.

Bolsonaro viajou aos Estados Unidos na véspera da posse de Lula e, com isso, não cumpriu o rito democrático de passar a faixa presidencial a seu sucessor no Palácio do Planalto.

A invasão e depredação do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do STF (Supremo Tribunal Federal) teve como consequência a prisão de centenas de pessoas suspeitas de participação no vandalismo e o afastamento do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), além de ordens de prisão contra o ex-ministro de Bolsonaro Anderson Torres e o ex-comandante da Polícia Militar do DF, Fabio Augusto Vieira.