Bolsonaro silencia enquanto líderes mundiais parabenizam Biden

RICARDO DELLA COLETTA
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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Ao contrário de outros líderes mundiais, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ainda não parabenizou publicamente Joe Biden pela vitória na eleição americana. O líder brasileiro não fez nenhuma manifestação de felicitação a Biden, projetado pouco depois das 13h20 deste sábado (7) como o vencedor do pleito disputado no último dia 3 de novembro. A postura de Bolsonaro contrasta com outros governantes, entre eles o britânico Boris Johnson, o principal aliado do presidente Donald Trump na Europa. Além de Johnson, publicaram mensagens de parabéns nas redes sociais o presidente francês, Emmanuel Macron, o líder espanhol Pedro Sánchez, o primeiro-ministro de Portugal, António Costa, e o governo alemão, chefiado pela chanceler Angela Merkel. Também na América Latina líderes já começaram a felicitar a vitória de Biden, como os presidentes Alberto Fernández (Argentina) e Sebastián Piñera (Chile). O presidente da Colômbia, Iván Duque, também já se pronunciou. Biden foi anunciado o vencedor das eleições americanas no início da tarde deste sábado. Ao contrário do Brasil, os EUA não contam com uma autoridade eleitoral nacional e o vencedor é declarado por projeções das redes de comunicação no país. Durante a semana passada, Bolsonaro e seus assessores discutiram sobre o melhor momento de enviar uma mensagem de felicitação a Biden --caso ele fosse confirmado o vencedor. Na diplomacia, as felicitações de outros chefes de estado são atos meramente simbólicos, mas no caso do líder brasileiro o silêncio ganha dimensões políticas uma vez que Bolsonaro é admirador declarado de Trump, que foi derrotado. Bolsonaro foi apelidado pela imprensa estrangeira como o "Trump dos trópicos" e disse em diversas ocasiões que torcia pela reeleição do atual presidente. Internamente, auxiliares palacianos avaliavam que, em caso da eleição de Biden, Bolsonaro só deveria parabenizar o democrata após a conclusão de qualquer disputa judicial sobre o resultado do pleito, uma vez que Trump ainda não reconheceu a derrota e alega ter sido alvo de uma fraude eleitoral. Auxiliares do presidente destacam que ele não deve endossar as alegações de Trump de que houve irregularidades nas eleições americanas --o que seria tomado como uma ofensa pelo partido democrata-- e que enviará uma mensagem parabenizando a eleição de Biden. O problema é que a conclusão de qualquer disputa judicial ou o reconhecimento da derrota de Trump é algo que pode se arrastar por semanas, e assessores palacianos esperam que o presidente envie algum tipo de mensagem ainda neste sábado. O fato de outros líderes mundiais já terem se manifestado, entre eles o premiê do Reino Unido, tem sido usado para argumentar junto a Bolsonaro que a derrota de Trump já é um fato consumado. Ao contrário de Bolsonaro, outras lideranças políticas no Brasil se adiantaram e parabenizaram Biden tão logo as emissoras americanas declararam Biden como o novo presidente eleito. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), já fizeram publicações congratulando o novo líder americano. Bolsonaro passa o fim de semana em Brasília e deixou o Palácio da Alvorada neste sábado para participar do batizado de sua filha. Na sexta (6), Bolsonaro fez um pronunciamento que foi interpretado como o reconhecimento de que estava prestes a ver seu principal aliado na arena internacional perder a reeleição. "Eu não sou a pessoa mais importante do Brasil, assim como Trump não é a pessoa mais importante do mundo, como ele mesmo bem disse. A pessoa mais importante é Deus", disse Bolsonaro.