Bolsonaro sinaliza mudanças na Petrobras e anuncia isenção de impostos federais sobre gás e diesel

DANIEL CARVALHO
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*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF,  05.02.2021 - O presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, 05.02.2021 - O presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Sob críticas pelo sucessivo aumento dos preços dos combustíveis, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse em sua live desta quinta-feira (18) que promoverá mudanças na Petrobras e anunciou isenção de impostos federais.

Bolsonaro disse que "não tem quem não ficou chateado com o reajuste" e fez críticas ao presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco.

"Não posso chamar a atenção da Agência Nacional de Petróleo, porque é independente, mas tem atribuição também. Não faz nada. Você vai em cima da Petrobras, ela fala 'opa, não é obrigação minha'. Ou como disse o presidente da Petrobras, há questão de poucos dias, né, 'eu não tenho nada a ver com caminhoneiro, eu aumento o preço aqui, não tenho nada a ver com caminhoneiro'. Foi o que ele falou, o presidente da Petrobras. Isso vai ter uma consequência, obviamente", disse Bolsonaro.

A Petrobras informou nesta quinta dois novos reajustes nos preços da gasolina e do diesel, que subirão 10,2% e 15,1%, respectivamente, a partir desta sexta (19). É o quarto reajuste da gasolina e o terceiro do diesel em 2021.

"Teve um aumento, no meu entender, aqui, eu vou criticar, um aumento fora da curva da Petrobras. 10% hoje na gasolina e 15% no diesel. É o quarto reajuste do ano. A bronca vem sempre para cima de mim, só que a Petrobras tem autonomia", afirmou.

Bolsonaro chamou o aumento de abusivo e informou que, em reunião com o ministro Paulo Guedes (Economia), decidiu zerar por dois meses, a partir de 1º de março, o PIS/Cofins que incide sobre o diesel.

"O que é que foi decidido hoje? ​A partir de 1º de março também não haverá qualquer imposto federal no diesel por dois meses. Então, por dois meses, não haverá qualquer imposto federal em cima do diesel. Por que por dois meses? Porque nestes dois meses nós vamos estudar uma maneira definitiva de buscar zerar este imposto no diesel. Até para ajudar a contrabalancear este aumento, no meu entender, excessivo da Petrobras", afirmou.

Logo em seguida, sem dar detalhes, prometeu mudanças na petroleira.

"Mas eu não posso interferir nem iria interferir na Petrobras. Se bem que alguma coisa vai acontecer na Petrobras nos próximos dias. Você tem que mudar alguma coisa, vai acontecer", disse Bolsonaro.

Na mesma transmissão, ele anunciou que vai zerar tributos federais que incidem sobre o gás de cozinha.

"Hoje à tarde, reunido com a equipe econômica, tendo à frente o ministro Paulo Guedes, decisão nossa. A partir de 1º de março agora, não haverá mais qualquer tributo federal no gás de cozinha, ad eternum."

"Então, não haverá qualquer tributo federal no gás de cozinha, que está em média, hoje em dia, R$ 90, na ponta da linha, lá para o consumidor lá. E o preço na origem está um pouco abaixo de R$ 40. Então, se está R$ 90, os R$ 50 aí é ICMS, imposto estadual, e é também para pagar ali a distribuição e a margem de lucro para quem vende na ponta da linha", disse Bolsonaro.

Pressionado em suas redes sociais, ele voltou a cobrar de governadores a redução do ICMS, imposto estadual.

​"Temos agora que achar uma maneira de mostrar à população quanto é o ICMS de cada estado e sobra, então, uma margem de lucro da distribuidora, né, e o valor da distribuição. Para o pessoal saber quem é que, realmente, porventura está abusando aí para vender o gás na ponta da linha", disse Bolsonaro.

Responsável pelas negociações com caminhoneiros e cotado para ser vice de Bolsonaro em 2022, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, participou da live desta quinta e fez coro ao presidente nas críticas ao aumento.

"Salgado demais, mas é isso: o governo está tomando a medida que pode tomar hoje, emergencial, tirando o tributo federal por um período de tempo para a gente pensar em medidas realmente estruturantes para a gente combater esta volatilidade do preço do diesel", disse o ministro.

Ainda comentando o preço dos combustíveis, Bolsonaro queixou-se do valor do dólar, que nesta quinta subiu 0,55%, a R$ 5,4430.

"Tem que baixar da casa dos R$ 5. E baixa como? Com reformas, com medidas estruturantes, que possam aí despertar, mais do que atenção, a segurança do investidor", afirmou.

"Ninguém vai comprar nada aqui no Brasil se tiver insegurança. Eu vou investir e não sei se vou ter o retorno no tocante a isso daí. Então nós vamos fazendo o possível, a gente espera, se Deus quiser, brevemente a gente acalme aqui as questões do mercado. E o dólar baixando, os combustíveis baixam."

Assim como na semana passada, o presidente fez críticas aos investidores do mercado financeiro.

"Agora, a gente apela a todos do Brasil que são responsáveis por isso que nós falamos aqui. Eu sei que eu apelar não vale porque o pessoal que vai em cima do lucro não tem coração, mas se o Brasil aí não enveredar por um bom caminho, todo mundo vai perder. Então é melhor esse pessoal todo ganhar um pouco menos por mais tempo do que ganhar muito por pouco tempo, que o prejuízo vai ser enorme", disse Bolsonaro.