Bolsonaro sobe o tom, cita Moraes e volta a fazer ameaças golpistas em São Paulo

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Brazilian President Jair Bolsonaro (C) and Vice-President Hamilton Mourao (R) are seen during a demonstration to support their government, amidst Brazil's Independence Day, in Brasilia on September 7, 2021. - Fighting record-low poll numbers, a weakening economy and a judiciary he says is stacked against him, President Jair Bolsonaro has called huge rallies for Brazilian independence day Tuesday, seeking to fire up his far-right base. (Photo by Sergio Lima / AFP) (Photo by SERGIO LIMA/AFP via Getty Images)
Jair Bolsonaro esteve em ato em Brasília pela manhã e foi para São Paulo durante a tarde (Foto: Sergio Lima/AFP via Getty Images)
  • Bolsonaro discursou na Avenida Paulista e teve como principais alvos Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso

  • Presidente afirmou que não seguiria mais determinações de Moraes

  • Bolsonaro repetiu que só deixaria o poder "preso, morto ou vitorioso"

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) discursou na Avenida Paulista na tarde desta terça-feira (7). O principal alvo foi o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. "Ou esse ministro se enquadra, ou ele pede pra sair", disse Bolsonaro. "A paciência do povo já se esgotou."

Bolsonaro, eleito diversas vezes por meio das urnas eletrônicas, voltou a criticar o sistema de votação utilizado no país e também atacou o ministro Luís Roberto Barroso. "Nós acreditamos e queremos a democracia. A alma da democracia é voto. Não podemos admitir um sistema eleitoral que não traz qualquer segurança. E dizer que não é uma pessoa no TSE que vai nos dizer que esse processo é confiável e seguro."

"Não podemos admitir um ministro do TSE também, usando sua caneta, desmonetizar páginas que criticam esse sistema de votação. Queremos eleições limpas com voto auditável e contagem pública dos votos. Não podemos ter eleições que pairem dúvidas sobre os eleitores", pediu. Bolsonaro enviou à Câmara dos Deputados uma PEC para instaurar o voto impresso, mas a medida não passou

"Não vamos aceitar que pessoas como Alexandre de Moraes continua a açoitar a nossa democracia e desrespeitar a nossa constituição", disse o presidente. Ele reclamou da determinação de Moraes de mandar prender Jason Miller, ex-assessor de Trump, ouvido no inquérito dos atos antidemocráticos. "Saia Alexandre de Moraes, deixa de ser canalha. Deixe de oprimir o povo brasileiro e censurar os seus adversários."

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Bolsonaro voltou a dizer que tem três possíveis destinos: ser preso, morto ou sair vitorioso. Aos que "tentam torna-lo inelegível", o presidente disse que "só Deus me tira de lá".

Moraes celebrou 7 de setembro 

Mais cedo, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, usou as redes sociais para celebrar o Dia da Independência neste 7 de setembro. Segundo Moraes, é um dia que garantiu a liberdade dos brasileiros.

"Nesse Sete de Setembro, comemoramos nossa Independência, que garantiu nossa Liberdade e que somente se fortalece com absoluto respeito a Democracia", escreveu nas redes sociais.

Bolsonaro discursa em Brasília e ataca o STF

People take part in a demonstration to support Brazilian President Jair Bolsonaro amidst Brazil's Independence Day, at Copacabana beach in Rio de Janeiro, Brazil, on September 7, 2021. - Fighting record-low poll numbers, a weakening economy and a judiciary he says is stacked against him, President Jair Bolsonaro has called huge rallies for Brazilian independence day Tuesday, seeking to fire up his far-right base. (Photo by MAURO PIMENTEL / AFP) (Photo by MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images)
Em ato no Rio de Janeiro, manifestantes pedem voto auditável e mudanças no STF (Foto: Mauro Pimentel/AFP via Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) usou de espaço em carro de som na Praça dos Três Poderes, em Brasília, neste 7 de setembro para ameaçar indiretamente e sem citações o Supremo Tribunal Federal. Ele voltou, como já havia feito ao longo da semana, a afirmar que "quem age fora da Constituição ou se enquadra ou pede pra sair".

"Ou o chefe desse poder enquadra o seu ou esse poder pode sofrer aquilo que nós não queremos. Que nós valorizamos e reconhecemos e sabemos o valor de cada poder da República. Nós todos aqui na Praça dos Três Poderes juramos respeitar a nossa Constituição. Quem age fora dela se enquadra ou pede pra sair", afirmou o presidente em discurso inflamado.

Atos em Brasília começaram com violência

A manifestação pró-Bolsonaro em Brasília neste 7 de setembro começou com confusão. Manifestantes portando bandeiras com dizeres golpistas, pelo fechamento do STF e do Congresso, entraram em confronto com a polícia ao tentar retirar grades que protegem os prédios públicos.

O confronto entre os manifestantes e os policiais militares aconteceu na altura da Praça dos Três Poderes. Após a tentativa de retirada da grade para invasão dos prédios públicos, os PMs usaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes.

No Rio, atos também miram principalmente no STF

Em ato a favor de Bolsonaro, manifestantes sem máscara, exibiram faixas e vestiam camisa verde e amarela ocupando as duas faixas da Av. Atlântica, na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro.

A caminhada começa no posto 4 e vai até o 5, quase ninguém usava máscara e houve aglomeração. Eles pedem a prisão e saída dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), voto auditável (derrubado no Congresso), intervenção militar e marcha da família com Deus pela liberdade, pautas inconstitucionais que ferem a democracia.

Presidente abriu dia com discurso no Alvorada

Bolsonaro abriu o dia com discurso transmitido em suas redes sociais no qual deu recado para seus apoiadores que prometem ir às ruas em todo país nesta terça-feira para demonstrar apoio popular ao governo.

Nosso País não pode continuar refém de uma ou duas pessoas, não interessa onde elas estejam. Esta uma ou duas pessoas ou entram nos eixos ou serão simplesmente ignoradas da vida pública. Este é o meu trabalho”, disse Bolsonaro no discurso que aconteceu dentro do Alvorada.

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