Bolsonaro sobre compra de imóveis com dinheiro vivo: 'metade é de ex-cunhado meu'

Clã Bolsonaro comprou 51 imóveis total ou parcialmente com dinheiro vivo nos últimos 30 anos. (Foto: Mateus Bonomi/Anadolu Agency via Getty Images)
Clã Bolsonaro comprou 51 imóveis total ou parcialmente com dinheiro vivo nos últimos 30 anos. (Foto: Mateus Bonomi/Anadolu Agency via Getty Images)
  • Declaração foi feita em entrevista à Jovem Pan

  • Bolsonaro afirma que não vê ex-cunhado 'há um tempão'

  • Imóveis foram adquiridos por ele, irmãos e filhos

O presidente Jair Bolsonaro (PL) comentou novamente a revelação de que sua família comprou 51 imóveis em dinheiro vivo nos últimos 30 anos durante entrevista à uma rádio nesta quinta-feira (1). Segundo ele, “metade dos imóveis é de ex-cunhado”.

“Por que faz isso em cima da minha família? Metade dos imóveis é de ex-cunhado meu. O que tenho a ver com ex-cunhado? Não vejo esse cara há um tempão”, declarou à rádio Jovem Pan. A entrevista deve ir ao ar na próxima segunda-feira (5), mas o trecho foi divulgado no programa Morning Show.

Na entrevista, o presidente ainda se incomodou com a reportagem por ter citado sua mãe, Olinda Bonturi Bolsonaro. Ele também erra ao afirmar que a matéria teria sido escrita pelo jornal Folha de S. Paulo.

"Busca uma maneira, 30 dias antes, um levantamento feito pela Folha, que não tem qualquer credibilidade, me acusar disso. Bota minha mãe, que já faleceu, nesse rol também, Vem para cima de mim, vem para cima de mim e ponto final”, reclamou. "Uma maneira de desgastar, não vão conseguir desgastar. Eles querem eleger você sabe bem, né? Não vai ter sucesso.”

Compra de imóveis com dinheiro vivo

A revelação foi feita em reportagem do portal UOL divulgada nesta terça-feira (30). Desde 1990, quando Bolsonaro entrou na política, até hoje, ele, irmãos e filhos negociaram 107 imóveis. Do total, pelo menos 51 foram adquiridos total ou parcialmente com uso de dinheiro vivo, segundo declaração dos próprios integrantes do clã.

Esse tipo de transação pode indicar lavagem de dinheiro ou ocultação de patrimônio. Inclusive, há uma proposta sendo debatida no Senado para proibir essa modalidade de pagamento. O texto, no entanto, está há um ano na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

As compras registradas nos cartórios com o modo de pagamento “em moeda corrente nacional”, que significa “repasses em espécie”, totalizaram R$ 13,5 milhões. Porém, atualmente esse dinheiro vale bem mais: em valores corrigidos pelo IPCA, o volume equivale a R$ 25,6 milhões.

Além disso, não é possível saber como foi feito o pagamento de 26 imóveis, que somaram pagamentos de R$ 986 mil, ou R$ 1,99 milhão em valores corrigidos. De acordo com o portal UOL, esta informação não está disponível nos documentos de compra e venda.

A compra de 30 imóveis foi feita com transações por meio de cheque ou transferência bancária, totalizando R$ 13,4 milhões, ou R$ 17,9 milhões corrigidos pelo IPCA.