Bolsonaro sobre morte de Vladimir Herzog: 'Suicídio acontece'

Fátima Meira/Futura Press

O pré-candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL) afirmou lamentar a morte de Vladimir Herzog durante a ditadura militar, mas preferiu não admitir que o jornalista foi torturado enquanto estava no DOI/Codi, na capital paulista.

Para o presidenciável, não há como atestar que Herzog foi assasinado por agentes da ditadura e citou a tese do suicídio para justificar a morte. Na época, as autoridades informaram que ele teria se enforcado, mas a versão foi contestada.

“Querem vitimizar em cima da morte do Herzog. Lamento a morte dele. Em que circunstância foi, se foi suicídio ou se morreu torturado. Não estava lá. Suicídio acontece. O pessoal pratica suicídio. Não tínhamos nada, pelo que o Herzog fazia, para dar pancada nele”, disse durante o programa “Mariana Godoy Entrevista”, da RedeTV, na última sexta-feira.

A Corte Interamericana de Direitos Humanos considerou o Estado brasileiro responsável pela falta de investigação, julgamento e sanção dos responsáveis pela tortura e assassinato do jornalista, em 1975, na época em que trabalhava na TV Cultura.

Questionado sobre o posicionamento da corte, Bolsonaro afirmou que a deposição do então presidente João Goulart ocorreu com o apoio amplo da sociedade, da imprensa e instituições e que com o início da luta armada, alguns inocentes acabaram morrendo, mas que esses acontecimentos já foram contemplados pela Lei da Anistia.

O presidenciável afirmou ainda que o Estatuto do Desarmamento é um dos fatores para o aumento da violência no país e disse que é preciso usar mais “energia” no tratamento dado a suspeitos de crimes como os de homicídio. Ele também disse que pretende acabar com a progressão de pena de condenados.