Bolsonaro sobre vacina: 'é irresponsabilidade obrigar a tomar algo experimental'

Gustavo Maia
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BRASÍLIA — O presidente Jair Bolsonaro voltou a colocar em xeque vacinas contra a Covid-19 em conversa com apoiadores nesta quarta-feira, na chegada ao Palácio da Alvorada. Segundo ele, os imunizantes são "experimentais" e, por isso, seria uma irresponsabilidade obrigar alguém a tomá-los. Bolsonaro insistiu ainda no argumento de que as empresas fabricantes de vacina não se responsabilizam por eventuais efeitos colaterais. Até o momento, o Brasil não aprovou nenhum imunizante contra o novo coronavírus.

Durante a conversa com simpatizantes, ele também justificou a sua decisão de suspender a compra de seringas, citando ações o "preço superfaturado" e ações de fraude por compras de materiais no combate à Covid-19. Mais cedo, ele anunciou que suspendeu a compra até que os preços "voltem à normalidade" e disse que estados e municípios têm estoques de seringas suficientes para o início da vacinação contra a doença.

Na semana passada, uma licitação realizada pelo Ministério da Saúde para comprar seringas e agulhas fracassou. A pasta só conseguiu garantir 7,9 milhões de unidades enquanto buscava adquirir 331,2 milhões. As empresas reclamaram que os preços pagos pelo governo estavam abaixo dos praticados no mercado.

— Nós fizemos um leilão, e o preço foi lá pra cima. Então nós suspendemos. Agora temos seringas suficientes para as primeiras duas milhões de doses que vão chegar. Agora se a gente compra o preço lá em cima, a imprensa ia me acusar de ser corrupto e com o preço superfaturado. Então foi suspenso. E o Brasil, se eu não me engano, é o terceiro maior fabricante de seringas. Então não tem problema. Fazem uma onda, a imprensa chama de inconsequente, irresponsável, não tem planejamento, é a imprensa canalha de sempre que tá aí — declarou Bolsonaro.

Momentos depois, ele apontou que houve "mais de 100 ações em cima de fraudes" e declarou que "tem mais coisa por vir ainda".

— Se eu entro nessa da seringa, eu tava no bolo. E a imprensa ia falar que, em vez de eu gastar, por exemplo, R$ 100 milhões com seringas, eu entregasse R$ 200 (milhões). E iam culpar eu (sic). Seguramos porque o preço, quando nós anunciamos comprar mais do que o normal, porque a gente gasta R$ 300 milhões em seringas por ano, o pessoal botou o preço lá em cima. Tiramos o pé do acelerador, nós não vamos comprar. Mas quando chegar a vacina, está previsto chegar dois milhões de doses esse mês, né? — acrescentou.

Nesse momento, ele pediu ao grupo de apoiadores com quem conversava que quem vai tomar vacina levantasse a mão. Um simpatizante disse que não estava querendo e uma mulher respondeu que "agora, não". Dando risada, ele questionou novamente se nenhum dos presentes iria tomar o imunizante.

— Todo mundo que eu pergunto, estive na praia, perguntei, aqui no cercadinho, tem um grupo um pouco mais que vai visitar a gente, pergunto... eu não faço campanha nem contra nem a favor, isso tem que ser voluntário, vai ser voluntário e gratuito pra quem quiser tomar, agora o pessoal tá desconfiado — disse.

Bolsonaro então concluiu o assunto apontando que a vacina é "experimental":

— As empresas não se responsabilizam por efeito colateral. É experimental. Agora é irresponsabilidade alguém querer obrigar a tomar algo que é experimental.