Bolsonaro telefona para Putin para discutir compra e produção de vacina Sputnik V

DANIEL CARVALHO E RICARDO DELLA COLETTA
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*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, 10.03.2021 - O presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Raul Spinassé/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, 10.03.2021 - O presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Raul Spinassé/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) telefonou para o presidente russo, Vladimir Putin, para discutir a compra e a produção no Brasil da vacina russa Sputnik V.

Em vídeo divulgado após a conversa, Bolsonaro aparece usando máscara e diz que é preciso "resolver alguns entraves" no Brasil para a liberação do imunizante.

Em 27 de março, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) informou que havia suspendido o prazo de análise do pedido de uso emergencial da vacina russa devido à falta de parte dos dados exigidos para a avaliação.

"Um dos assuntos mais importantes que nós tratamos aqui é a possibilidade de nós virmos a receber a vacina Sputnik daquele país", disse Bolsonaro. "Logicamente, dependemos ainda de resolver alguns entraves aqui no Brasil. Estamos ultimando contato com as demais autoridades, entre elas a Anvisa, de como nós podemos efetivamente importar esta vacina", afirmou o presidente.

Bolsonaro disse haver expectativa de produção doméstica do imunizante. "Esperamos inclusive que, caso aprovada a vacina Sputnik, nós viemos a produzi-la no Brasil", disse o presidente.

O presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, disse que receberá ainda nesta semana o embaixador russo no Brasil, Alexey Kazimirovitch Labetskiy, e que foi acertada uma missão da agência brasileira à Rússia.

"Temos neste contato a confirmação do envio da nossa missão, uma missão de vigilância sanitária à Rússia para que possamos efetuar a inspeção nas instalações de produção tanto de insumos como da própria vacina", afirmou. A data da viagem deverá ser acertada em reunião nesta quarta-feira (7).

O pedido de uso emergencial da Sputnik V foi solicitado em 26 de março pela União Química, que tem uma parceria com o Fundo de Investimento Direto da Rússia. A empresa busca o aval para o uso de 10 milhões de doses adquiridas pelo Ministério da Saúde no início deste mês.

Segundo a Anvisa, uma triagem inicial dos documentos anexados no pedido apontou que faltava parte dos dados exigidos para a avaliação, como especificações de qualidade e informações do tempo médio de acompanhamento dos pacientes que fizeram parte dos estudos.

Com isso, o prazo para que a agência decidisse sobre o pedido, previsto neste caso em sete dias úteis, foi suspenso até que haja a entrega dos documentos completos.

"Assim que houver uma superação nas questões regulatórias, estaremos aplicando a vacina aqui no Brasil", disse o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que também participou da conversa.