Bolsonaro teme operações contra familiares por compra de imóveis com dinheiro vivo

Reportagem revelou que família Bolsonaro comprou quase metade dos imóveis em dinheiro vivo (Foto: SILVIO AVILA/AFP via Getty Images)
Reportagem revelou que família Bolsonaro comprou quase metade dos imóveis em dinheiro vivo (Foto: SILVIO AVILA/AFP via Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que teve que familiares sejam alvos de operações da Polícia Federal após a revelação, feita pelo portal Uol, de que quase metade dos imóveis comprados pelos Bolsonaro foram adquiridos em dinheiro vivo.

“Foi uma covardia soltar isso a um mês das eleições. Como não tem nada contra mim, ficam ao redor dos meus familiares”, disse o presidente, em entrevista à Jovem Pan. “Moeda corrente não é dinheiro vivo”

“A matéria fala em 12 parentes, minha mãe que já faleceu, um ex-cunhado… A pergunta que eu faço: qual o relacionamento que eu tenho com essas pessoas? O que eu tenho que responder por elas?”, questionou.

Bolsonaro disse ter “quase certeza” de que serão feitas ações da Polícia Federal na casa de familiares. “Tenho quase certeza que vão fazer busca e apreensão na casa de parentes meus para dar aquele ar de ‘olha, a família de corruptos’”, declarou.

Ofensa contra jornalista

Na mesma entrevista, o presidente voltou a atacar mulheres na manhã desta terça-feira (6). Em entrevista à Jovem Pan, o mandatário foi questionado por Amanda Klein sobre a compra de imóveis em dinheiro vivo por ele e seus familiares.

Depois de ouvir a pergunta, Bolsonaro falou sobre a vida pessoal da jornalista. “Amanda, você é casada com uma pessoa que vota em mim”, disse.

O chefe do Executivo continuou: “Não sei como é que é teu convívio na sua casa com ele”.

Patrimônio da família Bolsonaro

Quase metade do patrimônio em imóveis do presidente Jair Bolsonaro e de seus familiares mais próximos foi construída nos últimos 30 anos com uso de dinheiro em espécie.

Reportagem do portal UOL divulgada na semana passada revela que desde 1990, quando Bolsonaro entrou na política, até hoje, ele, irmãos e filhos negociaram 107 imóveis. Do total, pelo menos 51 foram adquiridos total ou parcialmente com uso de dinheiro vivo, segundo declaração dos próprios integrantes do clã.

As compras registradas nos cartórios com o modo de pagamento “em moeda corrente nacional”, que significa “repasses em espécie”, totalizaram R$ 13,5 milhões. Porém, atualmente esse dinheiro vale bem mais: Em valores corrigidos pelo IPCA, o volume equivale a R$ 25,6 milhões.

A compra de 30 imóveis foi feita com transações por meio de cheque ou transferência bancária, totalizando R$ 13,4 milhões, ou R$ 17,9 milhões corrigidos pelo IPCA.