Como Bolsonaro usou o Tratado de Tordesilhas para defender o garimpo em área indígena?

Presidente citou o Tratado de Tordesilhas para defender a ideia de garimpo em áreas indígenas. (Foto: Isac Nóbrega/PR)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Bolsonaro conseguiu citar, na defesa do garimpo em área indígena, o Tratado de Tordesilhas

  • Presidente defende a regulamentação da atividade em reservas indígenas pelo País

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) fez um paralelo usando o Tratado de Tordesilhas para argumentar favoravelmente à legalização do garimpo em área indígena. Na semana passada, o presidente havia levantado a possibilidade de regulamentação da mineração em reservas indígenas.

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Em entrevista à jornalista Leda Nagle, o presidente justificou que a exploração do território brasileiro por bandeirantes ajudou na expansão das fronteiras do País. E que, por isso, deveriam ser tratados com dignidade.

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“Um pouquinho de história aqui, vai. 1492, foi descoberto a América. 1494, Tratado de Tordesilhas. Brasil não seria um terço do que é hoje. 1500, Brasil foi descoberto, e 1750 foi revogado o Tratado de Tordesilhas. E quem é que foi o responsável pelo não cumprimento, pelo desrespeito ao Tratado de Tordesilhas? Foram pessoas com espírito aventureiro dos garimpeiros”, explicou o presidente.

“Então vamos tratá-los com dignidade, vamos preservar o Meio Ambiente e evitar que mercúrio seja usado na extração do ouro, e vamos atender o garimpeiro”, finalizou Bolsonaro.

Antes disso, o presidente iniciou sua defesa à própria tese dizendo que se fosse feita uma “pesquisa séria”, grande parte da população urbana seria contrária à exploração de minério em áreas indígenas.

“Porque para o pessoal da área urbana é ali é Meio Ambiente. Mas nessas regiões de Pará, Roraima, tem pessoas que só sabe fazer isso. Pai foi garimpeiro e ele também é. ‘Ah, vamos tirar o garimpeiro das terras indígenas’. Não tem efetivo para isso, é impossível tirar. E vai colocar o cara na cidade pra fazer o que?”, argumentou.

DATAFOLHA DIZ O CONTRÁRIO

Uma pesquisa do Datafolha, no entanto, apontou que 86% dos brasileiros rejeitam a proposta. O levantamento, contratado pela ONG Instituto Socioambiental (ISA), mostrou que a reprovação da atividade é de 80% no Norte e Centro-Oeste. Essas regiões concentram a maior parte das terras indígenas do Brasil e seriam as mais afetadas pela mudança.

No Sudeste, esse índice foi de 88%. Apenas 14% das pessoas ouvidas na pesquisa afirmaram concordar com esta afirmação — 7% totalmente e 7%, em parte.