Bolsonaro pede ao TSE que Lula retire propaganda sobre imóveis pagos em dinheiro vivo

Jair Bolsonaro quer que campanha de Lula sobre imóveis comprados em dinheiro vivo seja retirado do ar (Foto: SILVIO AVILA/AFP via Getty Images)
Jair Bolsonaro quer que campanha de Lula sobre imóveis comprados em dinheiro vivo seja retirado do ar (Foto: SILVIO AVILA/AFP via Getty Images)

A equipe do presidente Jair Bolsonaro (PL) entrou com um pedido no Tribunal Superior Eleitoral para impedir a veiculação de uma propaganda do programa eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O conteúdo fala sobre a reportagem do Uol, que revelou que quase metade dos imóveis comprados pela família Bolsonaro foram adquiridos com dinheiro vivo.

“A investigação da imprensa revelou outro escândalo: 51 desses imóveis foram pagos em dinheiro vivo, no valor atualizado de R$ 25 milhões”, diz a propaganda. “De onde vem tanto dinheiro vivo da família Bolsonaro? É um escândalo tamanho família.”

O pedido foi feito na noite da última segunda-feira (5). Segundo o Uol, os advogados de Bolsonaro argumentam que o vídeo representa “verdadeiro discurso de ódio” para prejudicar a campanha do presidente. Eles pedem a retirada imediata do vídeo.

A defesa de Bolsonaro ainda questiona a ideia de os pagamentos terem sido feitos, efetivamente, em dinheiro vivo. Segundo os advogados, as compras de imóveis foram feitas em “moeda corrente”, o que poderia significar cheques, transferências bancárias ou quaisquer outras modalidades de pagamento. Não significa, necessariamente, pagamento em ‘dinheiro vivo’”.

Imóveis com dinheiro vivo

Quase metade do patrimônio em imóveis do presidente Jair Bolsonaro (PL) e de seus familiares mais próximos foi construída nos últimos 30 anos com uso de dinheiro em espécie.

Reportagem do portal UOL divulgada nesta terça-feira (30) revela que desde 1990, quando Bolsonaro entrou na política, até hoje, ele, irmãos e filhos negociaram 107 imóveis. Do total, pelo menos 51 foram adquiridos total ou parcialmente com uso de dinheiro vivo, segundo declaração dos próprios integrantes do clã.

As compras registradas nos cartórios com o modo de pagamento “em moeda corrente nacional”, que significa “repasses em espécie”, totalizaram R$ 13,5 milhões. Porém, atualmente esse dinheiro vale bem mais: Em valores corrigidos pelo IPCA, o volume equivale a R$ 25,6 milhões.

Além disso, não é possível saber como foi feito o pagamento de 26 imóveis, que somaram pagamentos de R$ 986 mil, ou R$ 1,99 milhão em valores corrigidos. De acordo com o portal UOL, esta informação não está disponível nos documentos de compra e venda.