Bolsonaro usa Covid de Queiroga para atacar passaporte da vacina

  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
·5 min de leitura
Neste artigo:
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
Bolsonaro e Queiroga durante cerimônia no Palácio do Planalto em junho de 2021 (Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Bolsonaro e Queiroga durante cerimônia no Palácio do Planalto em junho de 2021 (Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

Em sua primeira live depois de discursar na Assembleia-Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), na última terça (21), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a atacar o chamado passaporte da vacina, que exige que somente pessoas imunizadas contra a covid-19 tenham acesso a determinados locais.

Nesse contexto, Bolsonaro usou o exemplo do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que teve diagnóstico positivo para a covid-19 quando estava em Nova York, para dizer que o dispositivo não funciona.

Além disso, o presidente também voltou a criticar a Coronavac e afirmou, sem qualquer evidência, de que aqueles que contraíram o vírus e se curaram têm uma imunização "melhor" do que quem tomou a vacina.

Leia também:

Bolsonaro ainda alegou ter sugerido uma aposta com o premiê britânico, Boris Johnson, sobre quem estaria com uma imunização maior contra o coronavírus – o brasileiro, que não tomou a vacina, ou o britânico, vacinado. No encontro entre os dois, na segunda-feira (20), Johnson sugeriu a Bolsonaro que o brasileiro se vacinasse contra a covid.

Isolado por orientação da Anvisa, Bolsonaro apareceu sozinho para conduzir a live desta quinta (23). Antes de abordar o diagnóstico de Queiroga, Bolsonaro defendeu novamente o uso de medicamentos sem eficácia contra o coronavírus, dizendo respeitar "a autonomia do médico".

Ele disse ter comunicado ao ministro da Saúde sobre o teste positivo durante a viagem. "O Queiroga estava no quarto, eu falei 'você foi vacinado, nunca vi você sem máscara. Lamento te informar, você está infectado. Você vai adotar o protocolo Mandetta e aguardar sentir falta de ar para procurar socorro ou vai tomar uma providência?' Ele não respondeu para mim, e não vou responder para você aqui", afirmou Bolsonaro, ironizando o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta.

Depois, Bolsonaro comentou sobre a interação com Boris Johnson. O presidente brasileiro disse ter um alto nível de IgG, que mede a taxa de anticorpos no sangue, e sugeriu que sua imunização é maior do que a do britânico – apesar de uma alta taxa de IgG, segundo especialistas, não demonstrar necessariamente que a pessoa tem uma alta imunização contra o coronavírus.

"Ele [Boris Johnson] perguntou se eu tinha tomado a vacina. Eu falei que não, e que meu IgG tava lá em cima. E eu falei: 'vamos apostar uma caixa de uísque que meu IgG está maior que o seu, que está vacinado? Ele sorriu e não quis apostar comigo", contou o presidente brasileiro.

Na sequência, ele comparou seu caso com o do ministro da Saúde para criticar o passaporte da vacina e também a Coronavac.

"Muitos dizem, quem estuda, e entendem que quem contraiu o vírus e se curou tem uma imunização melhor do que quem tomou vacina. Olha meu caso e o do Queiroga. Sei que é um caso apenas, sei que a vacina não é 100% pra todo mundo, e que em alguém ela vai falhar... e pelo que estou sabendo, o Queiroga tomou a Coronavac, e muita gente tomou e não tem dado certo", criticou.

"Eu falei na ONU que sou contra o passaporte da vacina. Se o Queiroga tivesse ficado no Brasil, no Rio de Janeiro, ele estaria andando por lá e eu não poderia? O passaporte de vacina é algo eficaz? Ele funciona? O Queiroga poderia estar andando por aí à vontade, e outras pessoas não. Quem tem mais chance de transmitir o vírus? Eu ou o Queiroga vacinado? Isso não é uma exceção, é uma realidade", disse o presidente.

Depois, Bolsonaro disse ter falado com duas pessoas que também testaram positivo para a covid-19 e afirmou que vai pedir que seus casos sejam tornados públicos para divulgar "as vacinas que elas tomaram", em busca de "um protocolo".

Na sequência, o presidente reclamou não poder "comandar" esse protocolo e disse que governadores e prefeitos "mandam mais" em questões relacionadas à vacinação, especialmente sobre a imunização de adolescentes. "Falta um comandante disso no Brasil. Eu queria ser esse comandante e ter essa força para decidir", afirmou.

Ele ainda revelou que a primeira dama, Michelle Bolsonaro, decidiu se imunizar contra a covid-19. "Ela veio conversar comigo: 'tomo ou não tomo?' Dei minha opinião para ela - não vou falar qual é minha opinião - e ela tomou a vacina. Ela é maior de idade, sabe o que faz, e tomou a vacina", disse o presidente, afirmando defender a liberdade das pessoas de se vacinarem ou não.

Presidente admite que não pôde ingressar em área interna de restaurante em Nova York

Ao citar sua viagem para Nova York, Bolsonaro admitiu que não poderia entrar em restaurantes fechados por conta do protocolo sanitário da cidade em relação a não vacinados. Ele negou, porém, que este tenha sido o motivo de ter comido uma pizza na rua com outros integrantes da sua comitiva.

"Acho que havia cinco pessoas ali [na comitiva] que tinham sido vacinadas. Era uma pequena pizzaria, que não cabe cinco pessoas lá dentro. Comemos do lado de fora. Qual o problema? Se eu fosse comer um prato pagando 3 mil dólares, estaria tudo bem?", afirmou. "Não tem melhor prazer do que comer uma pizza na rua."

Depois, ele disse que comeu na churrascaria brasileira Fogo de Chão, em Nova York, e voltou a se comparar com Queiroga. "Fizeram um 'puxadinho' do lado de fora porque lá dentro não podia entrar quem não tem vacina. Sim, aconteceu, tive o prazer de esperar do lado de fora e fui lá. Queiroga andou lá por dentro, deve ter tomado algumas coisas, deve ter apertado a mão de todo mundo, sem problema nenhum. Lá dentro eu não apertei a mão de ninguém", ironizou.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos