Bolsonaro vai dar comando de fundo bilionário da educação a assessor de Ciro Nogueira, do PP

PAULO SALDAÑA E JULIA CHAIB
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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 11.02.2020 - O ministro da Educação, Abraham Weintraub, fala durante audiência na Comissão de Educação no Senado, em Brasília.(Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 11.02.2020 - O ministro da Educação, Abraham Weintraub, fala durante audiência na Comissão de Educação no Senado, em Brasília.(Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Depois de resistir a entregar o comando do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) a uma indicação política, o ministro Abraham Weintraub (Educação) foi obrigado a ceder e teve nesta terça (19) um encontro com o indicado pelo PP para assumir o órgão.

O governo Jair Bolsonaro (sem partido) decidiu entregar a presidência do fundo a um nome sugerido pelo senador Ciro Nogueira, presidente do PP, sigla que compõe o chamado centrão. O chefe de gabinete do parlamentar, Marcelo Lopes da Ponte, assumirá o cargo.

Ainda não há informação sobre quando a nomeação será publicada no Diário Oficial da União.

O FNDE, órgão ligado ao MEC, sempre foi alvo de assédio político por causa do orçamento, de cerca de R$ 55 bilhões, e da capilaridade de atuação em todo o país.

O posto já estava prometido ao PP depois que Bolsonaro passou a oferecer cargos no governo para o centrão como estratégia para evitar um processo de impeachment. Uma das diretorias do órgão já havia sido loteada oficialmente.

Na segunda-feira (18), o governo nomeou um indicado do PL para a Diretoria de Ações Educacionais do FNDE. Chefe de gabinete da liderança do PL na Câmara, Garigham Amarante Pinto é nome de confiança de Valdemar Costa Neto, que comanda o partido.

Apesar do novo movimento de Bolsonaro para entregar o FNDE ao centrão, o órgão já esteve sob o comando de uma indicação política no atual governo. No ano passado, Weintraub havia transferido o comando do fundo a um indicado de partidos como PP e DEM após negociação para a reforma da Previdência.

No fim do ano, entretanto, o ministro demitiu Rodrigo Sergio Dias da presidência do fundo pra manter o controle orçamentário do órgão.

Marcelo Lopes Pontes, que assumirá a presidência do fundo, atuou no FNDE durante a gestão de Sergio Dias. Ele comandou a diretoria de Gestão, Articulação, e Projetos Educacionais e saiu em janeiro.

O atual chefe de gabinete de Ciro Nogueira vai substituir Karine Silva dos Santos, servidora de carreira e alinhada com Weintraub. Ela havia assumido o órgão após a saída de Rodrigo Sergio Dias.

A equipe atual do FNDE ainda não foi avisada sobre outras mudanças. Karine Santos convocou para quinta-feira (21) uma reunião para tratar do assunto com a equipe.

Procurado na noite desta terça, o MEC não respondeu até a publicação deste texto.

Weintraub vinha sendo um dos ministros mais resistentes a nomear indicados do centrão. Segundo líderes partidários na Câmara, o ministro ficou tão contrariado com a obrigação de ceder a presidência e diretorias do órgão que sugeriu ao ministro Walter Braga Netto (Casa Civil) que assumisse o órgão em sua pasta.

Braga Netto, no entanto, teria recusado a oferta.

O Planalto, então, colocou Weintraub na parede. Sob a ameaça de ser exonerado, o ministro cedeu. Em reuniões coletivas e individuais, Bolsonaro avisou que suas indicações deverão ser respeitadas ou ele poderá substituir a equipe.

Desde então, Weintraub diz a pessoas próximas que criará filtros de gestão na pasta para garantir qualidade.