Bolsonaro vai a jantar com senadores e deputados do PL em Brasília

O presidente Jair Bolsonaro participou na noite desta terça-feira de um jantar com deputados e senadores do PL, em Brasília, no primeiro evento político após a derrota nas urnas para Luiz Inácio Lula da Silva, período no qual ficou recluso. Ao comparecer na reunião com as bancadas, Bolsonaro atende a um pedido do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, de retomar a rotina na reta final do governo e se engajar na vida partidária. O dirigente ofereceu ao aliado um cargo de presidente de honra da legenda.

O atual chefe do Planalto chegou ao restaurante localizado dentro de um clube na Asa Sul de Brasília às 20h25 e ficou por uma hora. Segundo pessoas presentes ao evento, o presidente não discursou, apenas cumprimentou parlamentares e conversou rapidamente com aliados.

Além de parlamentares do PL, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), participou do jantar. Ao chegar, foi chamado de "omisso" e "traidor da pátria" por cerca de dez apoiadores de Bolsonaro que estavam do lado de fora do restaurante. Nesta terça-feira, o PT e o PSB declaram apoio à reeleição de Lira.

Ao deixar o evento, o líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes (PL-TO) também foi cercado por bolsonaristas, que questionavam o resultado das eleições e o impediram de terminar uma entrevista.

Ao deixar o jantar, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se recusou a dar declarações, alegando que só falará após o pai se pronunciar.

— Eu só falo depois do presidente, eu não quero antecipar nada — disse Flávio, sem dar previsão de quando Bolsonaro voltará a dar declarações. — É o tempo dele disse.

Cerca de 150 pessoas participam do jantar, entre senadores, deputados, governadores e convidados, como o ministro da Secretaria de Governo, Célio Faria, o ex-ministro da Defesa Walter Braga Netto, e o advogado Frederick Wassef.

O evento desta noite foi convocado por Valdemar como um encontro de “confraternização” para apresentar parlamentares antigos aos bolsonaristas, que migraram para o PL junto com o presidente da República e têm conseguindo ditar os rumos da sigla.

A reunião, porém, foi uma tentativa de acalmar os ânimos após o partido ser penalizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com uma multa de R$ 22,9 milhões na semana passada por ter entrado com uma ação pedindo a anulação, sem provas, de votos no segundo turno das eleições. A ação do partido, que questionou, sem provas de fraude, a legitimidade das eleições, atendeu a uma pressão dos aliados de Bolsonaro, mas gerou críticas internas da ala mais pragmática.

Parlamentares presentes ao jantar disseram que temas políticos foram deixados de foram do discurso de Valdemar Costa Neto. O discurso de conciliação partiu do líder do PL na Câmara, Altineu Cortes (PL-RJ)