Por saúde e protestos, Bolsonaro pode não ir à ONU

Bolsonaro é um dos que está irredutível em viajar aos EUA. (Foto: Marcos Correa/PR)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Assessores e familiares do presidente se dividem entre favoráveis e contrários à viagem

  • Na semana passada, Bolsonaro afirmou que iria ‘nem que fosse de cadeira de rodas’ à Assembleia da ONU

Assessores do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e integrantes do Palácio do Planalto já admitem que ele pode não comparecer à Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), programada para a próxima semana.

Apesar de já ter declarado publicamente há duas semanas que iria, reiterando que “nem que fosse de cadeiras de rodas”, a viagem a Nova York pode não acontecer. As informações são do jornal O Globo.

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O motivo oficial seria a restrição médica após a cirurgia para correção de uma hérnia, realizada no dia 8 de setembro. Entretanto, alguns assessores avaliam que há também um risco político após polêmicas envolvendo as queimadas da Floresta Amazônica.

Auxiliares e familiares do presidente se dividem sobre ir ou não à cúpula da ONU. Entre os contrários estão nomes como a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e a equipe médica que realizou a última cirurgia.

Já o outro grupo defende que o momento é fundamental para o governo Bolsonaro se posicionar perante à comunidade internacional e fazer uma defesa pública da soberania da Amazônia, principalmente após o embate com o presidente francês Emmanuel Macron. Bolsonaro, segundo um assessor ouvido pelo O Globo, “quer ir de todo jeito”.

No início da noite, o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, admitiu que a ida de Bolsonaro à ONU está “sob análise”. “A viagem do presidente está sob a análise, praticamente definida, mas ainda sob a análise em participar no quesito avaliação médica, que ocorrerá na próxima sexta-feira”, informou o porta-voz.

O cirurgião Antonio Luiz Macedo, ouvido pelo O Globo, também deixou a ida do presidente em aberto.

DALLAS FORA

O Palácio do Planalto retirou, na tarde desta terça, a previsão da viagem a passagem por Dallas, no Texas, onde ele teria um rápido encontro com empresários ligados ao setor militar dos Estados Unidos no aeroporto.

A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) esteve no Palácio da Alvorada durante evento nesta terça e gravou um vídeo no local pedindo que o presidente não vá a Nova York para cuidar da saúde.

Ela disse ter notado que Bolsonaro está pálido e emagreceu desde a última operação. "Se você tiver alguém na família que tenha feito 4 cirurgias em 1 ano, entenderá", escreveu a parlamentar no Twitter.

Por enquanto, o embarque da comitiva brasileira, com ministros e parlamentares, está prevista para segunda-feira, dia 23, às 8h, com chegada em Nova York, às 16h. A volta ao Brasil deve ocorrer no dia 25.