Bolsonaro volta a mostrar incomodo e ironiza cartas pró-democracia

Jair Bolsonaro usou as redes sociais para ironizar documentos pró-democracia, organizados pela USP e pela Fiesp (Foto: Wang Tiancong/Xinhua via Getty Images)
Jair Bolsonaro usou as redes sociais para ironizar documentos pró-democracia, organizados pela USP e pela Fiesp (Foto: Wang Tiancong/Xinhua via Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a mostrar incômodo com a “Carta às brasileiras e aos brasileiros pelo Estado Democrático de Direito” e com o manifesto em defesa da democracia, organizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Depois da live que faz às quintas-feiras, Bolsonaro também o usou o Twitter para ironizar o manifesto.

Jair Bolsonaro chamou o próprio tuíte de “carta de manifesto em favor da democracia” e escreveu: “Por meio desta, manifesto que sou a favor da democracia. Assinado: Jair Messias Bolsonaro, Presidente da República Federativa do Brasil.”

A referência é a dois documentos, um deles organizado por juristas da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, uma reedição da carta de 1977, que pedia o reestabelecimento da democracia no Brasil, durante o regime militar.

O outro texto é o manifesto articulado pelo presidente da Fiesp, Josué Gomes da Silva, que tem apoio de entidades como a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Suprapartidários, os textos não mencionam nenhum candidato e pede a manutenção da ordem democrática no país. Entre os signatários da carta da USP estão banqueiros, empresários, juristas, artistas, mas o texto está aberto para que qualquer cidadão se junte.

Críticas na live

Na live que faz nas redes sociais às quintas-feiras, Bolsonaro fez críticas a carta da Fiesp e afirmou que a nota é “política em ano eleitoral”. Além disso, segundo o presidente, ele não entende o motivo da carta.

“Não consigo entender. Estão com medo do que, se estou há três anos e meio no governo. Nunca teve uma palavra minha, uma ação, gesto. Nunca falei em controlar mídia, em controlar mídias sociais, em democratizar a imprensa. Nada”, questionou.

“Por que isso daqui? Uma nota política eleitoral que nasceu lamentavelmente na Fiesp em São Paulo”, declarou.

Na última quarta-feira (27), o presidente já havia dito que não precisava de "cartinha" para respeitar a Constituição.

"Vivemos num país democrático, defendemos a democracia, não precisamos de nenhuma cartinha para falar que defendemos a democracia, que queremos cada vez mais, nós, cumprir e respeitar a Constituição. Não precisamos então de apoio ou sinalização de quem quer que seja para mostrar que o nosso caminho é a democracia, é a liberdade é o respeito à Constituição."

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos