Bolsonaro volta a apelar para voto feminino e, desta vez, ignora coro por 'imbrochável'

BRASÍLIA, DF, PORTO ALEGRE, RS, E NATAL, RN (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a insistir em falas em favor das mulheres nesta quarta-feira (14), após polêmicas envolvendo casos de machismo dele próprio e de apoiadores e em uma nova ofensiva para diminuir a sua rejeição entre esse público. Ele também preferiu ignorar um coro de "imbrochável" puxado pelos apoiadores.

Bolsonaro participou nesta quarta-feira (14) de evento de campanha em Natal, no Rio Grande do Norte. Ele participou de um passeio de moto e depois discursou, acompanhado do ministro Fábio Faria (Comunicações), do ex-ministro Rogério Marinho, que é candidato ao Senado no estado, e do candidato ao governo local Fábio Dantas (Solidariedade).

O chefe do Executivo dedicou parte de seu discurso a ações voltadas para as mulheres. Ao falar dos títulos fundiários que seu governo distribuiu, destacou que as mulheres foram as principais beneficiadas.

"Nós temos um carinho todo especial para com a mulher brasileira. Desses 400 mil títulos [fundiários], 80% deles foram destinados às mulheres. As mulheres estão em primeiro lugar em qualquer planejamento de governo. Somente no Auxílio Brasil, são 20 milhões de famílias que recebem, desses 20 milhões, 80% estão em nome das mulheres", afirmou.

Na sequência, Bolsonaro voltou a usar a influência da primeira-dama Michelle Bolsonaro, considerada por sua equipe como fundamental para diminuir sua rejeição entre as eleitoras.

"Temos mais que um carinho, um trabalho muito especial para as mulheres do nosso Brasil. Vocês têm acompanhado o trabalho da primeira-dama em Brasília. Nenhum de nós, [Rogério] Marinho, Fábio [Faria], nenhum de nós pode ser bem-sucedido se não tiver exatamente ao nosso lado uma grande mulher", completou.

Então repetiu a piada usada no 7 de Setembro, em Brasília, no qual afirma que homens solteiros são felizes, mas, ao se casarem com uma "princesa", ficam ainda mais felizes.

Nenhuma mulher discursou no evento realizado no Rio Grande do Norte. Durante a fala de Bolsonaro, as poucas mulheres presentes, como a deputada estadual Cristiane Dantas (Solidariedade) e a candidata a deputada federal Roberta Lacerda (PL), ficaram em segundo plano, atrás dos homens ao microfone.

Em uma das últimas pausas na fala do presidente, a plateia do comício puxou um coro de "imbrochável", mas, diferentemente do 7 de Setembro, Bolsonaro não estimulou os apoiadores. Sorriu, ignorou o adjetivo e imediatamente o som mecânico do evento subiu em volume alto e abafou o coro. Então o presidente discursou por mais alguns minutos, fazendo um agradecimento a Deus.

O presidente também voltou a explorar o tema corrupção, com diversas acusações contra o seu principal adversário na corrida presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e não poupou críticas à governadora Fátima Bezerra (PT), que concorre à reeleição. Bolsonaro criticou a petista ao comparar o preço da gasolina de São Paulo ao do Rio Grande do Norte.

"Se não está assim [barato] aqui, a culpa é da governadora que só quer arrecadar e explorar o nosso Nordeste", disse o presidente.