Bolsonaro volta a atacar eleições e diz que Forças Armadas querem contar votos

Presidente Jair Bolsonaro

BRASÍLIA (Reuters) -O presidente Jair Bolsonaro fez novos ataques, nesta quarta-feira, ao sistema eleitoral brasileiro e exigiu que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) responda às sugestões apresentadas pelas Forças Armadas para as eleições de outubro, incluindo que também possam contar os votos.

Durante evento no Palácio do Planalto de desagravo ao deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ) --beneficiado por perdão presidencial após ter sido condenado na semana passada pelo Supremo Tribunal Federal (STF)--, Bolsonaro ressaltou ser ele o chefe supremo das Forças Armadas, e disse que os militares não seriam "moldura" ou ficariam apenas "batendo palmas" após serem chamados pelo TSE para participarem do processo eleitoral.

"A gente espera que nos próximos dias o nosso Tribunal Superior Eleitoral dê uma resposta às sugestões das Forças Armadas, porque eles nos convidaram e nós aceitamos, estamos colaborando com o que há de melhor que existe entre nós", afirmou.

"E essas sugestões todas foram técnicas, não se fala ali em voto impresso. Não precisamos de voto impresso para garantir a lisura das eleições, mas precisamos de ter uma maneira --e ali naquelas nove sugestões existe essa maneira-- para a gente confiar nas eleições", reforçou.

O presidente disse que uma das sugestões é para que haja um computador para que as Forças Armadas também possam contar os votos no Brasil. Ele repetiu que haveria uma sala secreta do TSE em que se centraliza a apuração dos votos -- fato inverídico e que já foi rebatido várias vezes pela corte eleitoral.

"Uma das sugestões das Forças Armadas é que, ao final das eleições, os dados vêm pela internet para cá (Brasília) e tem um cabo que alimenta a sala secreta do TSE. Uma das sugestões é que desse mesmo duto seja feita uma ramificação para que tenhamos um computador do lado das Forças Armadas para que possamos contar os votos no Brasil", afirmou.

O TSE vem reafirmando a segurança e confiabilidade do sistema eletrônico de votação. Em uma resposta de 700 páginas às Forças Armadas, enviada ainda em fevereiro, a corte assegurou que as urnas eletrônicas do país são seguras independentemente de quem seja o fornecedor dos componentes. A resposta foi dirigida a representante das Forças Armadas na Comissão de Transparência das Eleições (CTE).

Na segunda-feira, o TSE anunciou um plano com diretrizes e medidas de ampliação da transparência das eleições, acatando sugestões sugestões de universidades, de parlamentares, das Forças Armadas e da OAB, entre outras instituições que participam do CTE, envolvendo códigos-fonte das urnas, e até mesmo o processo de fiscalização dos equipamentos e apuração dos votos.

Em tom de ironia, o presidente disse que se quer dar "ar de legalidade" ao processo eleitoral ao convidar observadores internacionais, que, segundo ele, ficariam apenas olhando.

"Que observação é essa, que legalidade, com que segurança pode dizer que aconteceu as eleições", questionou.

Há duas semanas, a Reuters revelou que em março o TSE havia feito pela primeira vez um convite para a União Europeia ser observadora das eleições deste ano. Posteriormente, o Itamaraty divulgou um comunicado em que mostrou desagrado do governo com o convite feito pelo TSE.

No evento, Bolsonaro disse --sem mostrar evidências novamente-- que uma possível suspeição do processo eleitoral não atingira apenas o presidente, mas quem disputa outros cargos eletivos como senador e deputado federal.

Sem citar nomes, Bolsonaro disse que há alguns no Supremo que estariam mandando e desmandando no país. Para uma plateia repleta de parlamentares, ele afirmou ainda que quem está jogando fora das quatro linhas precisa ser levado "para dentro das quatro linhas".

(Reportagem de Ricardo Brito; Reportagem adicional de Maria Carolina MarcelloEdição de Pedro Fonseca)

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