Bolsonaro volta a atacar Legislativo e diz que parlamentares querem cargos

Bruno Góes

BRASÍLIA - No mesmo dia em que o Senado aprovou pela primeira vez na História um decreto de calamidade pública para enfrentar a crise do coronavírus, o presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou que os parlamentares com poder de decisão brigam por cargos. Em entrevista ao programa do Ratinho, do SBT, Bolsonaro disse que o Legislativo precisa colaborar mais com o Executivo.

O presidente afirmou ainda que decidiu não lotear o seu governo e que isso atrapalha "muito" a governabildade.

- Não é fácil você ser presidente da Câmara e do Senado também. Não é um quartel. O meu (governo) é quase parecido com o quartel. Eu escolhi os ministros e dou as diretrizes. Tem disputa, mas acredito que o Legislativo poderia colaborar um pouco mais. Nessa crise (do coronavírus), estão colaborando 100%. Agora, sempre existe por parte de alguns, que decidem dentro do parlamento, a briga por cargos, que tem que deixar de existir - afirmou o presidente

Em tom amistoso, durante o programa, Ratinho pediu as considerações de Bolsonaro em algumas oportunidades sobre a crise do coronavírus. O presidente disse então que precisa "dar exemplo", sem fazer qualquer mea culpa em relação à participação de ato contra o Congresso no dia 15 de março, quando havia acabado de voltar do exterior no avião presidencial com um ministro infectado pela Covid-19.

Segundo Bolsonaro, ele foi "convencido a desestimular" as manifestações, mas acabou cumprimentando apoiadores.

- Desci para ver o povo e não resisti à tentação - disse o presidente.

Apesar disso, Bolsonaro diz que o Brasil chegou ao "dia D" do enfrentamento ao coronavírus. Ele afirmou que é preciso "alongar a curva da contaminação" para atender aos idosos. Mas avaliou que é inevitável a morte de pessoas nos considerados grupos de risco.

- Vão morrer alguns pelo vírus? Sim, vão morrer. Se tiver um com deficiência, pegou no contrapé, eu lamento - disse Bolsonaro.

Perguntado se o país estava em guerra contra o vírus, como o presidente americano, Doanald Trump declarou, Bolsonaro evitou o termo. Mas considerou que Trump "está em ano de eleição, tem que ser agressivo nesta questão".

Sobre o crescimento do PIB, Bolsonaro disse que perguntou ao ministro da Economia, Paulo Guedes, qual seria a projeção para 2020, mas ele não respondeu.

- A projeção era 2%, falei com Paulo Guedes agora e ele não quer falar em projeção.