Bolsonaro volta a atacar o STF e repete notícia falsa que motivou cassação de deputado

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O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira que o deputado federal Fernando Francischini (União-PR) "não espalhou fake news" e disse que ele próprio, Bolsonaro, já fez as mesmas acusações que custaram o mandato do parlamentar. Pouco antes do discurso do chefe do Executivo, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) manteve a cassação de Francischini por propagação de notícias falsas sobre o sistema eleitoral.

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--- Aqui do outro lado da Praça dos Três Poderes, uma turma do Supremo Tribunal Federal, por 3 a 2, mantém a cassação de um deputado acusado em 2018 de espalhar fake news. Esse deputado não espalhou fake news, porque o que ele falou na live eu também falei para todo mundo: que estava havendo fraude nas eleições de 2018 -- disse Bolsonaro.

O julgamento de Francischini foi o primeiro em que houve condenação de um parlamentar por fake news no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e é considerado um marco para casos parecidos. O parlamentar foi cassado em outubro do ano passado pelo TSE por dizer, sem apresentar provas, durante uma transmissão ao vivo na internet, que as urnas eletrônicas estavam fraudadas para impedir a eleição de Jair Bolsonaro à Presidência da República. A live foi realizada no dia do primeiro turno das eleições de 2018. Bolsonaro repetiu as acusações durante o discurso no Palácio do Planalto.

Embora nunca tenha ocorrido um só caso comprovado de fraude nas urnas eletrônicas em mais de 20 anos de uso, o presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores frequentemente levantam suspeitas sobre a confiabilidade do processo eleitoral. Recentemente, Bolsonaro tem utilizado questionamentos feitos pelas Forças Armadas ao TSE para lançar suspeitas, sem provas, acerca do processo eleitoral. Nesta terça-feira, questionou o tribunal queria a participação dos militares "como uma moldura de uma fotografia para dar ar de credibilidade".

Depois de repetir as acusações de fraude feitas pelo parlamentar em 2018, Bolsonaro disse que confia nas máquinas, em referência às urnas eletrônicas, mas que não confia "em que está atrás das máquinas". O presidente também voltou a questionar a isenção dos ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes para presidirem o TSE em período eleitoral.

-- Nós confiamos nas máquinas? Eu confio nas máquinas. Não confio em quem está atrás das máquinas -- disse, completando momentos depois no discurso: --- Qual a isenção que tem esse ministro para conduzir as eleições (Fachin)? Qual terá Alexandre de Moraes para 40 dias antes assumir aquele posto? O que podemos pensar e acreditar nessas pessoas? O que eles querem? Querem uma ruptura? Por que atacam a democracia o tempo todo?

Bolsonaro também afirmou que era preciso "haver uma reação" e que não viveria "como um rato". Para o presidente, "não tem ninguém mais homem do que o outro, mas nós não podemos nos curvar".

-- Aqui não tem ninguém mais homem do que outro, mas nós não podemos nos curvar -- afirmou ---

Eu não vou viver como um rato. Tem que haver uma reação -- disse em outro momento.

O presidente insinuou também que há uma tentativa de golpe usando "armas da democracia" e que entregaria a faixa presidencial a qualquer um que ganhe a eleição, desde que seja "limpa, democrática e auditáveis".

--- Ganhe quem ganhar as eleições, eu entrego a faixa. Numa eleição limpa, democrática e auditáveis --- disse --- Tenho falado para todos os meus ministros: em 64 tentaram tomar o poder pelas armas, agora as armas que usam são as armas da democracia: eu quero, eu não quero, eu puno, eu casso, eu prendo um deputado por 8 meses, faço com que jornalista seja exilado.

Em seguida, Bolsonaro afirmou que não é mais "do tempo" em que se cumpria decisões do STF sem discussão e que agora "parece" que ganha as eleições quem "tem amigo no TSE". Voltou a dizer que não pode haver eleição "onde um lado não vai se satisfazer com o resultado".

--- Eu fui do tempo que decisão do supremo não se discute, se cumpre. Eu fui desse tempo, não sou mais. Certas medidas saltam aos olhos dos leigos. É inacreditável o que fazem. Querem prejudicar a mim, e prejudicam o Brasil [...] Eu sou do tempo que eleições ganhava quem tinha voto nas urnas, agora parece que é quem tem amigo no TSE [...] Não podemos ter a suspeição. Não podemos terminar uma eleição onde um lado não vai se satisfazer com o resultado.

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