Bolsonaro volta a criticar medidas contra Covid e diz que "guerra não é política"

Pedro Fonseca
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Bolsonaro no Palácio do Planalto, em Brasília

Por Pedro Fonseca

(Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar neste sábado as medidas de restrição impostas por governadores para conter a disseminação do coronavírus no momento em que o Brasil enfrenta seu pior momento da pandemia, e disse que o efeito colateral do combate à Covid-19 não pode ser pior do que a própria doença.

Apesar de o Brasil ter se tornado o novo epicentro da pandemia no mundo, com mais de 3 mil mortes por dia em média nos últimos sete dias, Bolsonaro tem se mantido firme contra as medidas de isolamento social, que são recomendadas por autoridades sanitárias para conter a circulação do vírus.

O presidente tem travado uma disputa acirrada com governadores que impuseram o fechamento de atividades econômicas mediante o colapso de seus sistemas de saúde, e chegou a apresentar ação ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra chefes de Executivos estaduais.

"Cada vez mais, com mais desemprego, a política do fecha tudo e fica em casa, mais gente está comendo menos, alguns passando necessidades seríssimas, e nós temos que vencer isso. A guerra da minha parte não é política, é a guerra que tem a ver com o futuro de uma nação. Não podemos esquecer a questão do emprego", disse Bolsonaro em vídeo transmitido nas redes sociais durante visita a uma associação beneficente no entorno de Brasília que oferece refeição para pessoas necessitadas.

O presidente estava acompanhado do novo ministro da Defesa, Walter Braga Netto, que deixou a Casa Civil para assumir a Defesa esta semana como parte de uma reforma ministerial em que Bolsonaro mexeu no comando de seis ministérios. Os dois estavam sem máscara.

"A política de lockdown tem um efeito colateral muito grave, muito danoso, que é o desemprego", acrescentou Bolsonaro em entrevista a repórteres na volta ao Palácio da Alvorada. "O efeito colateral não pode ser mais danoso do que o próprio vírus."

O presidente também anunciou que o Ministério da Defesa colocará as Forças Armadas à disposição do Ministério da Saúde para apoiar a campanha de imunização contra a Covid-19. No entanto, o maior entrave à vacinação não tem sido a falta de pessoal, mas sim a escassez de imunizantes, uma vez que o Brasil demorou a fechar contrato com fornecedores.

Ao longo da pandemia, que já matou mais de 328 mil pessoas no Brasil, Bolsonaro disse diversas vezes que não tomaria vacina contra a Covid-19, mas recentemente mudou de discurso e admitiu a possibilidade de ser vacinado. Neste sábado, ele voltou a afirmar que pode tomar o imunizante.

"Eu já estou imunizado com o vírus. Se acharam que eu devo me vacinar eu vacino, sem problema nenhum. Mas acho que essa vacina minha tem que ser dada a alguém que ainda não contraiu o vírus e corre um risco muito maior do que eu. Da minha parte não tem problema nenhum buscar um posto de saúde e me vacinar agora que chegou a minha idade", disse.

Bolsonaro, de 66 anos, poderia ser vacinado contra a Covid-19 em Brasília a partir de sábado, quando a capital federal passou a imunizar a faixa etária dele. Na quinta-feira, o presidente disse que decidiria sobre receber ou não a vacina contra Covid depois que "o último brasileiro for vacinado".