Bolsonaro volta a criticar ministros do STF após confirmar cassação de aliado por fake news

O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a atacar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a colocar dúvidas no processo eleitoral nesta quarta-feira, durante encontro com empresários na sede da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ). Em discurso na capital carioca, o chefe do Planalto acusou os membros da Corte de perseguição e novamente cogitou descumprir decisões do Supremo, ao comentar o julgamento sobre o marco temporal das terras indígenas.

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Ao fim do discurso, que durou cerca de 20 minutos, o presidente foi ovacionado aos gritos de "mito, mito, mito", segundo o colunista Lauro Jardim. Entre os presentes na plateia, estavam bolsonaristas como o deputado Daniel Silveira (PTB-RJ), os ex-ministros Eduardo Pazuello e Onyx Lorenzoni e empresários.

Na tarde de ontem, pouco depois da decisão da Segunda Turma do STF que manteve a cassação do deputado estadual bolsonarista Fernando Francischini (União-PR), o presidente já havia subido o tom contra membros da Corte. Bolsonaro repetiu a notícia falsa que custou o mandato do parlamentar, sobre fraude nas urnas no pleito de 2018, e teve como seu alvo preferido o atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o ministro Edson Fachin, um dos que votaram pela manutenção da cassação de Francischini.

No encontro desta quarta-feira, Fachin foi novamente o principal alvo. Ele foi chamado de “marxista-leninista e ex-advogado do MST”, tal como o presidente já havia falado no dia anterior. Ao comentar sobre o julgamento do marco temporal das terras indígenas, Bolsonaro ameaçou descumprir a decisão da Corte, caso seja contrária à sua vontade e recebeu aplausos dos presentes. A votação está para ser pautada no Supremo, após ter sido paralisada com placar de 1 a 1.

— Uma reserva indígena. Os índios estão cada vez do nosso lado, apoiam projeto que permite a mineração nas suas terras, entre outras coisas. O que nos atrapalha hoje perante os produtores rurais. Ah, o Supremo deve decidir o novo marco temporal. Se for aprovado a tese do Fachin - que é um marxista lenista, ex-advogado do MST — criticou Bolsonaro

— Nós passaremos de 14% para 28% do território nacional demarcado por terra indígena. Uma área equivalente às regiões Sudeste e Sul. Se aprovar isso, o que é que eu faço? Decisão do Supremo não se discute e se cumpre, é isso? — questionou aos presentes.

— Não – responderam os empresários, em coro.

— Eu tenho duas alternativas. Entregar as chaves para o Fux ou falar: não vou cumprir — disse Bolsonaro.

As críticas à Corte seguiram no discurso do presidente, que acusou ministros do STF de perseguição política.

— Isso é afrontar o Supremo? Isso não é afrontar. Eu nunca vi um ministro do Supremo comprando pão na padaria. Acho que ninguém nunca viu. Falta conhecimento e realidade, de povo, falta interação. De lá, lamentavelmente não vêm boas notícias. Me apontem uma medida que tenha me ajudado ou ao Brasil. É o tempo todo perseguindo, prendendo deputado federal. Cassando o mandato de deputado estadual por fake News. Tem algum jurista aqui? Qual a tipificação? Eu acho que posso prender vocês por ter maltratado, torturado um marciano, é a mesma coisa. A que ponto nós chegamos? — disse Bolsonaro, antes de voltar a atacar Edson Fachin.

— O atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral foi quem tirou o Lula para fora da cadeia? Eu estou atacando? Não, estou falando a verdade. Esse mesmo ministro, Fachin, semana passada, reuniu-se com dezenas de embaixadores. Olha, quem trata de política externa sou eu e o ministro Carlos Franco. Isso é um crime o que ele fez. Qual é a mensagem? Me acusando — concluiu.

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