Bolsonaro volta a dizer que torce por Trump e que há incomodados com relação dos dois

RICARDO DELLA COLETTA
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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Com as eleições nos Estados Unidos indefinidas, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta quarta-feira (4) que não interfere no pleito americano, mas voltou a dizer que torce pela reeleição do republicano Donald Trump. O presidente disse que tem uma "opinião clara" e que isso não é interferência. "Tenho uma boa política com o Trump, espero que ele seja reeleito. O Brasil vai continuar sendo o Brasil. Sem interferir em nada, até porque quem somos nós para interferir?", disse Bolsonaro a apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, em declarações transmitidas por um site bolsonarista. "E esse bom relacionamento, coisa que não havia em governos anteriores. Tirando o [ex-presidente Michel] Temer, em governos anteriores não havia esse bom relacionamento. E tem gente incomodada com isso, acham que eu deveria ser inimigo dos Estados Unidos ou criticar o governo americano e elogiar a Venezuela, Cuba e outros países que não têm nada de exemplo para nós aqui na América do Sul." A disputa pela Casa Branca permanece indefinida, com votos ainda sendo contados nos estados que devem determinar o resultado. Os primeiros dados da noite desta terça (3) abriram caminho para Trump seguir na disputa à reeleição e mostraram que a corrida não terá ampla vantagem para Biden, ao contrário do que mostravam as pesquisas. Entre os estados considerados mais competitivos, Trump ganhou Flórida, Ohio e Iowa, segundo as projeções. Biden, por sua vez, leva vantagem no Arizona e tem a matemática dos votos restantes a seu favor. Dessa forma, a disputa virou mais uma vez para os estados do cinturão da ferrugem -Michigan, Wisconsin e Pensilvânia-, além da sulista Geórgia. Admirador declarado de Trump, Bolsonaro ironizou, em frente ao Alvorada nesta quarta, uma pergunta sobre se interferia nas eleições americanos. "Você deve estar lendo Veja, Folha, Globo. Minha interferência você quer como? Econômica, bélica, militar ou cibernética? Quem fala isso tem que deixar os banquinhos escolares e ver como é a realidade. Preferência acho que todo mundo tem. Não vou discutir com ninguém, quem é democrata que porventura torce por republicano", acrescentou. Bolsonaro tem sido aconselhado por auxiliares a se manter distante das eleições americanas, uma vez que o resultado eleitoral no momento é considerado imprevisível e existe receio de uma relação turbulenta com o Brasil caso o democrata Joe Biden conclua o processo como vencedor. O presidente foi orientado a não parabenizar Trump caso ele declarasse vitória antecipada --o que o americano de fato fez. No entanto, Bolsonaro fez uma crítica a Biden nesta quarta e disse que o candidato interferiu em assuntos internos do Brasil ao criticar a política ambiental do governo. "Só complementar aqui: o candidato democrata em duas oportunidades falou sobre a Amazônia. É isso que estamos querendo para o Brasil? Aí sim uma interferência de fora para dentro", disse. Durante o primeiro e caótico debate presidencial nos EUA, o candidato democrata, ao se referir à Amazônia, disse que "a floresta tropical no Brasil está sendo destruída".