Bolsonaro volta a levantar tom contra o STF

O presidente Jair Bolsonaro atacou novamente os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (7) e ameaçou deixar de cumprir as decisões da corte, ao mesmo tempo em que questionou mais uma vez a confiabilidade do sistema eleitoral.

Bolsonaro se irritou com a mais alta corte após uma decisão desfavorável a um deputado aliado que foi afastado do cargo por divulgar notícias falsas.

"Teno a obrigação de agir. Eu tenho jogador dentro das quatro linhas. Não acham uma só palavra minha, ato, fora da Constituição. Será possível que três (ministros) do STF continuem achando que podem tudo? Eu não vou viver como um rato, tem que haver uma reação", afirmou Bolsonaro durante um ato oficial no Palácio do Planalto, em Brasília.

No poder desde 2019, Bolsonaro buscará a reeleição em outubro e provavelmente disputará um segundo turno com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, favorito segundo as pesquisas.

Fernando Francischini (União-PR), deputado estadual da Assembleia Legislativa do Paraná, foi destituído pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2021, após alegar sem provas que em 2018 as urnas de votação foram manipuladas para impedir a vitória de Bolsonaro no primeiro turno.

O caso voltou a ganhar notoriedade nos últimos dias, depois que o ministro Nunes Marques determinou o retorno do mandato de Francischini, uma decisã revertida pelo tribunal nesta terça-feira.

Bolsonaro, que já teve vídeos removidos nas plataformas digitais e é alvo de uma investigação no STF por divulgar informações falsas, reiterou as alegações.

"Esse deputado não espalhou 'fake news', porque o que ele falou eu também falei para todo mundo: que estava havendo fraude nas eleições de 2018", afirmou o presidente.

Bolsonaro voltou a colocar em dúvida a transparência do voto eletrônico, usado no Brasil desde 1996, e negou estar "conspirando para permanecer no poder".

"Entrego a faixa para qualquer um, mas tem que ganhar no voto transparente", declarou.

Os constantes ataques ao sistema eleitoral alimentam temores de que Bolsonaro não reconhecerá uma eventual derrota e tentará emular o ex-presidente americano Donald Trump, acusado de incitar os protestos violentos que culminaram na invasão do Capitólio, em 2021.

Como em outras ocasiões, Bolsonaro ameaçou nesta terça-feira não cumprir decisões do STF.

"Eu sou da época que decisões do STF não se discutiam, se cumpriam. Eu fui desse tempo. Mas não sou mais", concluiu.

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