Bolsonaro volta a questionar urna eletrônica e diz que análise está sendo feita pelas Forças Armadas

Presidente Jair Bolsonaro durante debate em São Paulo

Por Eduardo Simões

(Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou nesta segunda-feira a levantar suspeitas sem provas sobre as urnas eletrônicas e disse que a análise sobre se houve fraude no primeiro turno das eleições está sendo feita pelas Forças Armadas, garantindo não interferir nesses trabalhos.

"No momento, como as Forças Armadas foram convidadas a integrar uma comissão de transparência eleitoral, esse trabalho está sendo feito pelas Forças Armadas, eu não dou palpite. As Forças Armadas têm uma equipe enorme no Comando de Defesa Cibernética que trabalha nessa questão", disse o presidente em entrevista à Super Rádio Tupi, do Rio de Janeiro.

Os militares anunciaram que analisariam a lisura do primeiro turno do pleito, mas com mais de duas semanas após o primeiro turno, realizado em 2 de outubro, ainda não apresentaram publicamente um relatório sobre o assunto. Recentemente, indagado se recebeu o relatório das Forças Armadas sobre a eleição, Bolsonaro recusou-se a responder.

Observadores nacionais e internacionais que acompanharam a eleição atestaram sua lisura e não houve qualquer relato de fraude no sistema de votação, assim como nunca ocorreu desde a adoção das urnas eletrônicas em 1996.

Ainda assim, Bolsonaro, que aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto atrás de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), repetiu na entrevista as alegações falsas e suspeitas infundadas de que a urna é passível de fraude e de que o sistema eletrônico de votação é inaudtável.

"Todos são unânimes em dizer que não existe sistema impenetrável, sistema inviolável", disse. "O TSE está com uma urna bastante ultrapassada, antiga, geração do final dos anos 1990."

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já esclareceu por diversas vezes que o sistema é auditável --por exemplo por meio dos boletins de urna impressos por cada um dos equipamentos ao término da votação-- e que a urna eletrônica não é em nenhum momento conectada à internet.

Bolsonaro também se recusou a responder no passado se aceitaria o resultado da eleição caso seja derrotado no segundo turno, marcado para o dia 30 de outubro.