Bolsonaro volta a usar tom de ameaça e diz que depois das eleições todos jogarão dentro das 4 linhas

Bolsonaro cumprimenta apoiadores no Rio de Janeiro

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), voltou a usar um tom de ameaça nesta quarta-feira e disse em discurso que, depois das eleições, todos vão ter que jogar dentro das quatro linhas da Constituição.

Em campanha em Presidente Prudente, no interior de São Paulo, Bolsonaro disse que os brasileiros começaram a entender os Poderes, citando o Supremo Tribunal Federal.

"Esperem acabar as eleições, todos jogarão dentro das quatro linhas da Constituição", destacou o presidente.

"Nós defendemos o funcionamento de todas as instituições, mas aqueles que ousam sair fora das quatro linhas --não interessa de qual Poder seja-- tem que ser trazido para dentro das quatro linhas", acrescentou em outro momento.

O presidente disse ainda que vai trazer "essa minoria que pensa que pode tudo para dentro das quatro linhas da nossa Constituição", sem falar quem seria essa minoria.

Os alvos preferidos de Bolsonaro em seus ataques --o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, e os ex-presidentes da corte Edson Fachin e Luís Roberto Barroso, todos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF)-- não foram citados no discurso desta quarta.

Integrantes da campanha à reeleição preferem que Bolsonaro concentre seus discursos em mostrar ações do governo do que atacar representantes de instituições como o STF e o TSE. Eles avaliam que esse tipo de discurso dificulta a ampliação de sua base de eleitores.

A menos de 20 dias para o primeiro turno das eleições, o presidente afirmou que vai ganhar no primeiro turno e voltou a atacar pesquisas de intenção de voto ao Palácio do Planalto que o apontam atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao destacar que o que vale é o "datapovo".

INSULTOS

No discurso, Bolsonaro insultou o adversário, chamando-o de "pinguço" e "vagabundo" e mais uma vez sugeriu que a eleição de Lula seria a volta do petista "à cena do crime".

Sem citá-lo diretamente, o presidente criticou de novo o presidente da Argentina, Alberto Fernández, que hoje, em suas palavras, estaria acabando com seu próprio país. Ainda candidato à Presidência argentina, Fernández chegou a visitar Lula quando o petista estava preso em Curitiba.