Bolsonaro xinga Barroso, ataca TSE e volta a citar dados sigilosos de inquérito

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  • Em sua live, o presidente retomou as acusações contra o Tribunal Superior Eleitoral;

  • Bolsonaro reclamou por ter que retirar as informações do inquérito de suas redes sociais;

  • O STF aceitou a notícia-crime do TSE contra Bolsonaro por ter divulgado o inquérito, que trata de um ataque hacker sofrido pelo Tribunal em 2018.

A derrota da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do voto impresso na Câmara Federal, na terça-feira (10), não fez o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) recuar no discurso de ataques às urnas eletrônicas e de suspeição sob o processo eleitoral.

Em sua live nesta quinta-feira (12), Bolsonaro retomou as acusações contra o Tribunal Superior Eleitoral e defendeu seu próprio ato de divulgar, na semana passada, um inquérito da Polícia Federal de 2018 que está sob segredo de justiça – ação que gerou uma investigação contra o presidente.

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O ministro Alexandre de Moraes aceitou nesta quinta a notícia-crime do TSE contra Bolsonaro por ter divulgado o inquérito, que trata de um ataque hacker sofrido pelo Tribunal em 2018. Além disso, ele determinou a investigação do delegado Vitor Neves Feitosa, até então o responsável pelo inquérito.

Segundo o TSE, o invasor teve acesso ao código-fonte da urna, uma informação que está disponível a partidos políticos e organizações que atuam na auditoria eleitoral. O tribunal nega que o hacker tenha tido qualquer acesso ao sistema das urnas eletrônicas.

Bolsonaro divulgou o inquérito sigiloso para tentar justificar suas suspeitas de que a urna eletrônica é insegura. Nesta quinta, ele defendeu sua atitude e disse que "o inquérito interessa a todos" e, por isso, "ele tem que ser público".

"Esse inquérito começou em novembro de 2018. Por que não chegou ao relatório final? Pelo que tudo indica, não posso afirmar aqui, interferência", disse. "Houve interferência na PF dois anos e meio? Porque, quando seria concluído esse processo? Se eu ficasse quieto aqui, não seria concluído nunca", atacou.

"Não querem apuração", acusa Bolsonaro

O presidente reclamou por ter que retirar as informações do inquérito de suas redes sociais e justificou que "todo mundo já copiou" os dados sigilosos. "Segredo de justiça? O que estavam fazendo, não deixando esse inquérito ir para frente, é um crime contra a democracia. Não querem apuração."

"Nós queremos que esse inquérito vá pro final. Você acha que apagou do meu site e resolveu o assunto? As provas estão lá", disse Bolsonaro. Em seguida, o presidente falou que contaria uma história. "Não tenho provas, é apenas uma suposição. Mas alguém acha que esse hacker era turista? Ficou passeando no TSE, teve acesso ao código-fonte, o próprio TSE diz que algumas pegadas foram apagadas. E depois esse hacker, ou esse grupo de hacker, resolveu denunciar. Não tenho provas, mas alguma coisa aconteceu."

Em seguida, ele insinuou participação do próprio TSE na invasão e citou, ressaltando que não tem qualquer prova, que o plano da invasão seria tirar 12 milhões de votos que ele, como candidato à Presidência, receberia em 2018.

"Será que o pessoal do TSE, aquela meia dúzia que toma conta, não sabia e deixou correr frouxo? Que a história, ou estória, que chega pra gente era que o acordo com esses hackers seria desviar 12 milhões de votos do candidato Jair Bolsonaro. Não tenho provas, não sei se é verdade, mas a história que apuramos é essa."

Segundo essa versão do presidente, o grupo hacker teria sofrido "um calote" dos mandantes do ataque e "resolveram melar o jogo", denunciando a história. "Essas histórias vão continuar correndo por aí", disse o presidente.

"Agora, é justo a gente viver sob a suspeição de possíveis fraudes? O que o presidente do TSE está fazendo para acabar com essa dúvida? 'Estamos colocando novas camadas'... ah, é brincadeira, pô! O hacker tava lá dentro. Talvez até com a conivência daquela cúpula minúscula do TSE que tá há 20 anos lá dentro", acusou.

Depois, Bolsonaro citou a possibilidade de ser preso e defendeu novamente a divulgação do inquérito. "Falam que é 49 anos a minha pena. Quarenta e nove anos de cadeia e mais dois anos por ter vazado o inquérito em segredo da justiça. O inquérito interessa a todos nós. Se interessa a todos nós, tem que ser público. Se eu não falo, ia ficar escondido até quando lá dentro?"

Presidente volta a ofender Barroso

Em vários momentos da live, Bolsonaro afirmou que estava desconfiado mesmo no sistema eleitoral do Brasil e insinuou novamente que o presidente do TSE e ministro do STF Luis Roberto Barroso tem interesses na eleição presidencial de 2022. "Procure saber quem é o Luis Barroso, o que ele defendeu e o que ele defende. Pra saber quem ele quer aqui. Essa minha cadeira tem criptonita mas tenho uma missão de Deus e vou até o final."

<p>Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, se posicionou contra a ideia do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e de aliados de retomar do voto impresso no Brasil. À GloboNews, o ministro do Supremo Tribunal Federal afirmou que isso levaria ao caos no sistema eleitoral.</p>
Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, se posicionou contra a ideia do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e de aliados de retomar do voto impresso no Brasil. À GloboNews, o ministro do Supremo Tribunal Federal afirmou que isso levaria ao caos no sistema eleitoral

"O que eles querem: a volta da corrupção e da impunidade", disse Bolsonaro, que iniciou, então, uma série de ataques ao PT e a partidos de esquerda, mencionando o regime da Venezuela. Bolsonaro pediu aos eleitores que analisassem os ministros do STF que seriam indicados caso ele seja reeleito e fizessem o mesmo considerando a eleição de Lula.

Ele também reclamou de eleitores que supostamente votariam no petista por rejeição a seu nome. "Você que vai votar no 'nove dedos' de raivinha, pra sacanear o Bolsonaro, você tá fazendo mal pra você mesmo", disse o presidente.

Logo no começo da live, ele fez outra acusação a Barroso e chamou o presidente do TSE de "tapado", enquanto defendia o sistema do comprovante impresso do voto que foi rejeitado no Congresso.

"O Barroso deu mais motivos hoje para que não fosse oficializado o voto impresso. Pega muito mal o Barroso mentir. Ele mentiu agora, dizendo que, como as votações são feitas em escolas, ficariam contando os votos três, quatro semanas, e os alunos não teriam aula", reclamou. "Pega mal mentir dessa maneira. Ou é tapado", disse, sobre Barroso.

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