Bolsonaro xinga Centrão em reunião com aliados: "Esses filhos da p… querem me f…"

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BRASILIA, BRAZIL - JUNE 29: President of Brazil Jair Bolsonaro and Health Minister, Marcelo Queiroga during an event to launch a new register for professional workers of the fish industry at Planalto Government Palace on June 29, 2021 in Brasilia, Brazil. Health Minister, Marcelo Queiroga, announced after the event and in conversation with journalists, that the contract with the Covaxin vaccine is suspended. (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)
Jair Bolsonaro teria xingado dois caciques do Centrão quando soube do caso Covaxin (Foto: Andressa Anholete/Getty Images)
  • Jair Bolsonaro teria xingado membros do Centrão ao saber do caso Covaxin, denunciado pelos irmãos Miranda

  • Na mesma reunião, o presidente disse "não aguentar mais" Ricardo Barros

  • Esquema denunciado pelos irmãos Miranda indica suspeito de corrupção na compra de vacinas Covaxin

Na reunião de 20 de março entre Jair Bolsonaro (sem partido) e os irmãos Miranda, o presidente expressou descontentamento com as atitudes do Centrão, a base de apoio do governo Bolsonaro. Além das falas já reveladas sobre Ricardo Barros, o presidente também xingou os partidos chamados “fisiológicos”.

“Esses filhos da p… querem me f… É sacanagem pra todo lado. Não aguento mais esses caras, esse centrão”, teria tido o presidente. As falas foram reveladas pela Veja e, segundo a revista, Bolsonaro ainda citou dois caciques do Centrão, além de Barros.

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Jair Bolsonaro continuou o desabafo. Ele deu um soco na mesa e disse aos Miranda: “Vocês tão vendo o que eu passo aqui? Uma m… dessa estoura, a culpa é minha. Tudo é culpa minha…”

“Eu não aguento mais”, disse Bolsonaro sobre Barros

"Mais uma desse cara. Eu não aguento mais", teria dito o presidente Jair Bolsonaro, referindo-se a relação do líder do governo na Câmara dos Deputados, o deputado Ricardo Barros (PP-PR), com as negociações da compra da vacina indiana Covaxin, segundo o relato do deputado Luis Miranda (DEM-DF) ao jornal Folha de S. Paulo.

Em entrevista publicada na noite do último domingo (27), o deputado que, junto ao seu irmão, Luis Ricardo Miranda, chefe da divisão de importação do Ministério da Saúde, deixou claro a Bolsonaro as suspeitas de irregularidades na compra do imunizante, afirmou que o presidente da República teria reclamado e se mostrado desapontado novamente com Barros.

Segundo o relato do deputado, Bolsonaro perguntou a ele e a seu irmão se era possível “precisar” que Barros tinha influência no caso da Covaxin. Eles teriam respondido que não sabiam. O encontro aconteceu no dia 20 de março e foi confirmado pelo próprio presidente.

“Aí ele disse: ‘Esse pessoal, meu irmão, tá foda. Não consigo resolver esse negócio’. Ele deu a entender que sabia de outros problemas, inclusive”, disse Miranda à Folha.

Irmãos Miranda na CPI da Covid

Os irmãos Miranda foram ouvidos pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado na última sexta-feira (25). O deputado narrou uma conversa que diz ter tido Bolsonaro no momento em que foi entregar a denúncia sobre possível corrupção no governo, relacionada ao contrato da compra da vacina Covaxin.

Segundo o parlamentar, o presidente teria dito: "É mais um rolo desse... Você sabe quem", mas Miranda, no primeiro momento, afirmava não se lembrar do nome citado. Horas depois, disse que tratava-se do deputado Ricardo Barros, líder do governo na Câmara.

No domingo (27), Barros divulgou uma nota para rebater suspeitas apresentadas na CPI da Covid no Senado sobre a compra da vacina indiana Covaxin. "Fica evidente que não há dados concretos ou mesmo acusações objetivas, inclusive pelas entrevistas dadas no fim de semana pelos próprios irmãos Miranda", afirmou Barros.

Bolsonaro negou saber de tudo que ocorre nos ministérios 

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta segunda-feira (28) que “não tem como saber o que acontece nos ministérios”, referindo-se ao caso da vacina indiana Covaxin e às denúncias de irregularidades nos contratos de compra do imunizante.

"Eu recebo todo mundo. Ele [o deputado Luis Miranda] que apresentou [informações sobre a compra da vacina], eu nem sabia como é que estavam as tratativas da Covaxin porque são 22 ministérios. Só o ministério do Rogério Marinho [Desenvolvimento Regional] tem mais de 20 mil obras", afirmou Bolsonaro.

Na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro disse a apoiadores que tem “confiança nos ministros” e não sabe de tudo o que acontece nas pastas.

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