Bolsonaro diz que haverá novo imposto se outras taxas forem extintas

Colaboradores Yahoo Notícias
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Brazil's president Jair Bolsonaro attends the launching ceremony of a campaign to support rural women at Palace in Brasilia, Brazil, on Wednesday, July 29, 2020. (Photo by Andre Borges/NurPhoto via Getty Images)
Brazil's president Jair Bolsonaro attends the launching ceremony of a campaign to support rural women at Palace in Brasilia, Brazil, on Wednesday, July 29, 2020. (Photo by Andre Borges/NurPhoto via Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que a criação de um novo imposto, como propôs o ministro da Economia, Paulo Guedes, deverá acontecer somente se houver desonerações.

"Não tem aumento de carga tributária. Pode substituir imposto. Mas ninguém aguenta pagar mais imposto", afirmou o presidente a jornalistas durante visita a uma padaria, na manhã deste domingo (2), em Brasília.

Bolsonaro também disse que conversa com Guedes sobre compensações para o eventual novo imposto, como a revisão na tabela do Imposto de Renda.

"O que eu falei com o Paulo Guedes. Pode ser o imposto que você quiser. Tem que ver do outro lado o que vai deixar de existir. Se vai diminuir a Tabela do Imposto de Renda, fazer desoneração, acabar com o IPI [Imposto sobre Produto Industrializado]. Tem que botar os dois lados da balança", completou o presidente.

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A ideia da equipe econômica do governo é criar um imposto para qualquer compra com cartão físico ou eletrônico, e seria cobrado nas compras realizadas por meio do sistema de pagamentos instantâneos em desenvolvimento pelo BC (Banco Central). Paulo Guedes disse que a alíquota deve ser de 0,2%.

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, já havia defendido a criação de um imposto sobre pagamentos para substituir a tributação recolhida por empresas ao pagarem salários, desde que tenha um objetivo claro, como financiar o Renda Brasil.

A “nova CPMF”, como o imposto vem sendo chamado, é alvo de divergências entre o ministro Paulo Guedes e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que em uma entrevista à Globo News na quinta-feira (16) disse que pretendia recriar a campanha "Xô, CPMF", lançada em 2007 contra a Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras, derrubada naquele momento pelo Congresso.

Além de sugerir a criação de uma “nova CPMF”, o Ministério da Economia planeja taxar cigarros e bebidas alcoólicas. O “imposto do pecado”, como a proposta foi apelidada, integra a reforma tributária que a equipe de Paulo Guedes enviará ao Congresso.

Segundo reportagem do jornal O Globo, o governo quer aumentar a arrecadação, e embutir tributos a produtos prejudiciais à saúde ajudaria a compensar perdas com a desoneração da folha de pagamentos que será proposta em uma próxima etapa da reforma.

“Tem que fechar a conta. Várias alternativas estão sendo estudadas. A questão dos seletivos ajuda a fechar a conta”, afirmou Aloísio Araújo, assessor especial do Ministério da Economia.