'Bom dia Rio', 'RJ1' e 'RJ2' completam 40 anos: âncoras celebram reportagens e entregam bastidores

De olho nas demandas do Rio de Janeiro, prestando serviço e cobrando o poder público, o jornalismo local da TV Globo completa 40 anos hoje. Entre coberturas marcantes, todos têm muito o que comemorar.

— São muitas notícias impactantes. Das recentes, destaco a cobertura das chuvas em Petrópolis (janeiro de 2022). Ancorei o jornal do Morro da Oficina. Em determinado momento, as sirenes começaram a tocar, teve tensão, descemos e ainda conseguimos falar com muita gente, dar voz aos moradores onde o governo não chega. Esse é o DNA do nosso jornal — diz Ana Luiza Guimarães, apresentadora do “RJ 2”.

E, mesmo com um objetivo em comum, cada telejornal local da emissora encontrou a sua peculiaridade.

— As audiências variam, o público-alvo também. O “Bom dia Rio” é aquela janela que mostra como está o mundo lá fora para quem acabou de acordar, se o transporte está funcionando... O “RJ 1” fala com a dona de casa, com quem está na hora do almoço, ou na academia. Com o público amplo, a gente também se destaca nas pautas comunitárias — diz Mariana Gross, que adora ainda poder tratar de carnaval: — Gosto também de destacar coberturas de assuntos felizes, como as do carnaval. É um momento que posso apresentar o jornal da Cidade do Samba e fazer algo diferente.

Acostumados a amanhecer com os cariocas com o “Bom dia Rio”, Flávio Fachel e Silvana Ramiro destacam a informalidade do formato para conscientizar sobre o que é importante.

— Conseguimos dar leveza até em meio a notícias pesadas. Só no nosso jornal você vai ver os âncoras falando gírias. E é natural. É como se estivéssemos conversando na sala de casa das pessoas — diz Silvana.

E a dupla sonha em poder um dia ver a cidade e todo o estado melhorando para ter um jornal só de boas notícias.

— Eu queria noticiar o fim da violência, fim da corrupção, fim das filas dos hospitais e todo mundo podendo exercer a plena cidadania. Infelizmente, não há indícios de que estamos próximos dessa realização. O cidadão do Rio de Janeiro precisa ser visto com mais carinho — diz Fachel.

Pé-quente ou pé-frio?

Ana Luiza Guimarães viveu um momento marcante no “RJ2” logo na sua estreia na apresentação, em 2013. “Me lembro das manifestações em junho (‘não é só R$ 0,20’). Eu estreei com âncora na segunda, e na quarta isso ocorreu. Derrubamos o espelho (as matérias programadas) e fizemos todo o jornal ao vivo. Deu muita adrenalina e o momento ficou marcado na história”.

A jornalista, que também dá plantão apresentando o “Jornal Nacional” e o “Bom dia Brasil” se diverte com as piadas de colegas pela capacidade dela (falta de sorte?) de atrair notícias trágicas. “Morte do Michael Jackson foi no meu plantão, o voo da Air France que caiu... É sempre bom participar de grandes coberturas, mas brincam que sou pé-frio. Fora do trabalho, não tenho essa fama. No futebol, sou pé-quente”, garante.

Cidadão honorário carioca

Nascido em Porto Alegre, mas morando no Rio há 22 anos, Flávio Fachel já aprendeu muito com os cariocas. “Gaúchos amam o Rio de Janeiro. O telespectador sabe que no ‘Bom dia’ mesmo tem ali um que gosta, é agradecido a essa terra e procura devolver esse carinho com o máximo de dedicação. É tão verdade que sou carioca até de carteirinha. A Câmara dos Vereadores já me concedeu título de cidadão honorário. Agora, posso chegar atrasado nos lugares”, brinca o apresentador, aos risos.

O que não significa que ele abandonou certas tradições gaúchas. “Tenho uma bandeira do Rio Grande do Sul na minha casa. E continuo torcendo só para o Grêmio. Em dia de Libertadores, acabava dormindo quase à meia-noite, mesmo apresentando jornal no dia seguinte”.

Sem revelar a torcida

Mariana Gross é flamenguista roxa. Ou melhor, rubro-negra. Basta o time do coração vencer, que até o look do dia para apresentar o jornal ganha as cores vermelho e preto. Mas, se o resultado é ruim... “Se perde, todo mundo me para na rua para perguntar se eu estou triste (risos). Se alguém está usando a camisa do time rival, querem logo que eu tire foto. A galera é carinhosa. Revelei meu time porque não cubro esporte e virou uma brincadeira do telejornal”.

Mas pergunte para a carioca qual a escola de samba do coração! Este segredoestá guardado a sete chaves. “Como apresento a apuração, prefiro não contar, pois sempre acham que estou priorizando uma. E, na verdade, eu gosto de todas. Amo carnaval, ouço samba-enredo o ano todo e me sinto parte de tudo quando estou trabalhando nessa época”.

Vida inteligente na madrugada

O despertador de Silvana Ramiro toca às 3h30 da madrugada para 40 minutos depois ela já estar na Globo se preparando para o “Bom dia Rio”. “Eu brinco que meu horário é parecido com o de um bebê. Eu acordo de madrugada, almoço 11h30, tiro um cochilo às 15h igual a eles e às 20h eu estou dormindo”, diverte-se.

Disciplinada, a jornalista faz tudo para não sair da rotina no dia a dia, ainda mais dividindo a atenção do trabalho e dos interesses pessoais com o marido e a filha, de 3 anos. “Às sextas-feiras eu me esforço para conseguir sair à noite, para ter um momento de curtir mais o meu marido. E sempre que posso coloco a Júlia (a filha) para dormir. Durante a semana, ela mesmo já fala: ‘Mamãe, está na hora de você dormir’. Quando ela quer brincar comigo até tarde, ela negocia: ‘Só mais um pouquinho’”.

Âncoras elegem as coberturas marcantes:

Silvana Ramiro

“A morte do Henry do Borel (março de 2021) foi muito forte porque ele tinha a idade que a minha filha tem. E se for destacar também o meu tempo como repórter, cito o massacre na escola em Realengo (abril de 2011). Foram quatro ou cinco dias em que fui todos os dias para lá. Fomos os primeiros a chegar e era muito forte estar ali”.

Flávio Fachel

“Sempre digo que a melhor cobertura ainda não aconteceu. Acho que é a postura que nós, jornalistas, temos que ter, de sempre buscar a melhor apuração, melhor reportagem. Mas se tiver que citar uma, vou pegar uma notícia recente, simples, dada na pandemia, que me emocionou muito. Foi sobre idosos finalmente com acesso à vacina contra a Covid-19”.

Mariana Gross

“A ocupação da Rocinha (em 2017), em que começamos o ‘RJ1’ mais cedo e seguimos até a novela das seis. Acompanhamos tudo sem parar, ao vivo, com repórteres e helicóptero. E gosto também de destacar coberturas de assuntos felizes, como as do carnaval. É um momento que posso apresentar o jornal da Cidade do samba, podemos fazer algo diferente. Há ainda as entrevistas com candidatos em época de eleições. São sempre marcantes”.

Ana Luiza Guimarães

“Me lembro das manifestações em junho de 2013. Eu estreei na apresentação do ‘RJ2’ na segunda e na quarta isso ocorreu. Derrubamos o espelho (as matérias programadas) e fizemos todo o jornal ao vivo. Deu muita adrenalina e é um momento marcado na história”.