Bomba no DF: Bolsonarista foragido foi autuado por violar caixão e expor morta

Wellington Macedo de Souza, suspeito de envolvimento em ataque a bomba no DF, teve cargo no governo Bolsonaro; Blogueiro ocupou cargo na pasta de Damares Alves - Foto: Reprodução/Redes Sociais
Wellington Macedo de Souza, suspeito de envolvimento em ataque a bomba no DF, teve cargo no governo Bolsonaro; Blogueiro ocupou cargo na pasta de Damares Alves - Foto: Reprodução/Redes Sociais

O blogueiro cearense Wellington Macedo de Souza, 47 anos, procurado por tentar explodir uma bomba perto do aeroporto do DF em dezembro do ano passado, foi autuado na Justiça cearense por violar um caixão e expor o cadáver de uma mulher em Sobral.

Apoiador radical do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o blogueiro teve um cargo no ministério de Damares Alves. Ele está foragido pelos atentados a bomba ocorridos na véspera do Natal em Brasília. Outros dois suspeitos de envolvimento no caso estão presos.

De acordo com informações do portal G1, ele usou a foto de uma mulher morta, sem autorização da família da vítima, em uma fake news divulgada por ele sobre a primeira pessoa morta por Covid-19 na cidade de Sobral.

O caso ocorreu em março de 2020, quando o município ainda não tinha registrado óbitos pela Covid.

Na denúncia consta que Wellington fez postagem em sua rede social do caixão aberto com o corpo enrolado em um pano branco, com um papel escrito "Óbito Covid-19". Na legenda ele divulgou a identidade da mulher de 51 anos e afirmou que ela era a primeira vítima da doença no município.

No entanto, a mulher citada por Wellington tratava-se de uma moradora da localidade de Rasteira, na cidade de Forquilha, que havia sido transferida para o Hospital Regional Norte (HRN) após dar entrada na unidade de saúde local com dormência no corpo. Posteriormente ficou comprovado que o óbito dela não foi por Covid.

Além disso, o blogueiro ainda postou vídeos em seu canal no YouTube repercutindo o caso e acusando o prefeito Ivo Gomes, que estava em seu primeiro mandato, de esconder o caso da população. Na ocasião, Ivo se pronunciou através das redes sociais negando o óbito.

"Quando tiver, se tiver, serei o primeiro a vir a público com a informação. Não há razão para esconder", disse o prefeito, pedindo à população para evitar o compartilhamento de notícias que gerassem medo.

A família da vítima, após a repercussão da fake news com a foto do cadáver, procurou a Delegacia Municipal de Sobral para denunciar o uso da imagem com informações falsas, já que na declaração de óbito dela constava "causa indeterminada" e a mulher não havia apresentado sintomas gripais.

Após a conclusão das investigações, Wellington Macedo foi autuado pela Polícia Civil no Artigo 41 da Lei de Contravenção Penal, por provocar alarma, anunciando desastre ou perigo inexistente, ou praticar qualquer ato capaz de produzir pânico ou tumulto; e no artigo 212 do Código Penal, por vilipêndio de cadáver.

A denúncia contra Macedo foi recebida e a Justiça determinou a citação do réu para responder à acusação.