Bomba no DF: veja crimes e acusações contra blogueiro cearense foragido

Wellington Macedo de Souza coleciona dezenas de acusações por danos morais e crimes por atos contra a democracia

Wellington Macedo de Souza teve cargo no governo Bolsonaro (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
Wellington Macedo de Souza teve cargo no governo Bolsonaro (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
  • Wellington é suspeito de envolvimento em ataque a bomba no DF;

  • Blogueiro foi alvo de pelo menos 59 ações por danos morais;

  • Apoiador de Jair Bolsonaro, ele já fez parte do governo do ex-presidente.

O blogueiro cearense Wellington Macedo de Souza, de 47 anos, procurado por tentar explodir uma bomba perto do aeroporto do DF em dezembro do ano passado, coleciona dezenas de acusações por dano moral e crimes por atos contra a democracia.

Wellington, que é natural de Sobral, interior do Ceará, já era conhecido por polêmicas em sua cidade natal, antes mesmo de aparecer nas imagens em que seu carro se aproxima de um caminhão-tanque com combustível e um artefato explosivo.

O blogueiro começou a trabalhar no meio da comunicação cobrindo notícias da região norte do Ceará. Em 2018, passou a publicar notícias alinhadas com o bolsonarismo.

Danos morais

O apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi alvo em 2018 de pelo menos 59 ações por danos morais movidas por diretores de escolas do município de Sobral, no interior do Ceará, por conta da série de reportagens "Educação do Mal".

Wellington, na produção dividida em quatro reportagens veiculadas em seu canal no YouTube, acusava o município de Sobral de um suposto esquema de fraudes para melhorar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) na cidade.

Fake News

Segundo informações do portal g1, Wellington passou a ganhar milhares de seguidores nas redes sociais. Na internet, ele espalha denúncias sem provas, além de incentivar atos contra a democracia.

Diante do destaque nas pautas políticas, o blogueiro se tornou assessor da Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos no governo Bolsonaro.

Ele teve um cargo comissionado na Diretoria de Promoção e Fortalecimento de Direitos da Criança e do Adolescente entre fevereiro e outubro de 2019, de onde foi exonerado quando passou a ser investigado.

Ataques à democracia

Quase dois anos após a exoneração, em agosto de 2021, o blogueiro foi um dos alvos de mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por incitação a atos violentos e ameaças contra a democracia.

Na ação, que também investigou o cantor Sérgio Reis, Wellington compartilhou um vídeo do artista com divulgação de eventos antidemocráticos para o dia 7 de Setembro daquele ano.

Wellington, na época, se manifestou por meio de suas redes sociais e disse ser um "militante da verdade da notícia" e noticiava fatos e acompanhava os bastidores da movimentação política no Brasil.

Prisão

Por determinação do ministro do STF, Alexandre de Moraes, menos de um mês depois de ser alvo de busca e apreensões, em um hotel em Brasília, o blogueiro foi preso em um inquérito que apurava o financiamento de atos contra as instituições e a democracia.

Ainda segundo reportagem do portal g1, o cearense foi solto, em outubro do mesmo ano, por determinação do ministro do Supremo, que entendeu que não havia mais justificativa para a manutenção da prisão do blogueiro.

Com isso, foi concedido a Macedo a prisão domiciliar, com monitoramento de tornozeleira eletrônica.

Foragido

Ainda que monitorado e com investigações a seu respeito em aberto, Wellington continuava frequentando o acampamento bolsonarista, onde se envolveu com George Washington Oliveira de Sousa e Alan Diego dos Santos Rodrigues, que participaram do atentado a bomba nas proximidades do aeroporto de Brasília.

O trio foi denunciado pela Justiça do Distrito Federal por tentativa de explodir o artefato. George está preso desde o dia 24 de dezembro e confessou ter montado a bomba deixada no caminhão. Já Alan e Wellington estão foragidos.

O blogueiro, na data em que foi colada a bomba no caminhão-tanque já era foragido da Operação Nero, por tentativa de invasão ao edifício-sede da Polícia Federal.

Penas

Os três, Wellington e os comparsas, vão responder na Justiça pelo crime de explosão, quando se expõe "a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem, mediante explosão, arremesso ou simples colocação de engenho de dinamite, ou de substância de efeitos análogos". A pena é de três a seis anos de prisão e multa.

O Ministério Público, no entanto, considera que é preciso aumentar a pena em um terço, já que o crime foi cometido tendo como alvo depósito de combustível.

Já as acusações de atos de terrorismo vão ser enviadas para a Justiça Federal, instância competente para analisar se estão configurados crimes contra o Estado Democrático de Direito.