Inventor acusado de matar jornalista em submarino pega prisão perpétua

Copenhague, 25 abr (EFE).- O inventor dinamarquês Peter Madsen foi condenado à prisão perpétua nesta quarta-feira por um tribunal de Copenhague por matar em agosto, no submarino que construiu, a jornalista sueca Kim Wall, cujo corpo foi esquartejado e jogado ao mar Báltico.

A sentença destaca que três mulheres foram convidadas ao submarino dias antes que Kim Wall, que Madsen tinha interesse na mutilação e tortura de pessoas e que ele não deu "nenhuma explicação crível" de por que levou ferramentas como uma serra ao veículo.

Madsen, de 47 anos e muito famoso na Dinamarca pelos projetos de submarinos e foguetes, afirmou durante o julgamento que a morte aconteceu de forma acidental e só admitiu ter esquartejado o corpo.

As mudanças no depoimento - primeiro disse que a mulher bateu a cabeça na escotilha e depois que morreu asfixiada pela emissão de monóxido de carbono - e a justificativa que modificou o relato dos fatos em consideração à família da repórter também não convenceram o tribunal.

A decisão judicial ressaltou que as análises mostram indícios de violência no tronco do corpo de Wall enquanto estava viva, contradizendo a explicação de Madsen que essas lesões foram feitas quando partiu o corpo, segundo ele horas depois da morte.

A causa da morte não pôde ser estabelecida devido ao tempo que a cabeça permaneceu embaixo d'água até ser achada, mas o tribunal destacou que os legistas acharam sinais de que as vias respiratórias de Wall foram tapadas, o que reforçaria a hipótese de morte por asfixia.

A sentença, contra a qual Madsen recorrerá, acredita provado que o inventor, em cuja roupa e corpo foram encontrados vestígios de sangue coagulado da vítima, amarrou e torturou a vítima.

"Foi um homicídio cínico e brutal de uma jornalista que tinha aceitado dar uma volta no submarino do acusado", explicou a sentença.

A decisão do tribunal coincide com o pedido do promotor, que reivindicava uma espécie de prisão perpétua, enquanto a defesa de Madsen pedia uma pena menor ou de duração determinada, caso fosse considerado culpado pela morte.

Na tarde do dia 10 de agosto, Madsen saiu para navegar com Wall, a quem tinha convidado para conceder uma entrevista no submarino que construiu.

À noite, o namorado da jornalista alertou às autoridades sobre o desaparecimento, o que derivou uma busca que terminou no dia seguinte, quando Madsen reapareceu sozinho no submarino na baía de Koge, ao sul de Copenhague.

O inventor disse inicialmente que a jornalista desembarcou no porto na noite anterior, mas no dia seguinte afirmou que tinha morrido de forma acidental, uma explicação que modificou novamente semanas depois, quando os restos mutilados foram aparecendo após uma intensa busca das polícias suecas e dinamarquesa. EFE