Síria devolve à França condecoração concedida a Assad em 2001

Beirute, 19 abr (EFE).- A Síria devolveu nesta quinta-feira à França a Grã-Cruz da Legião de Honra, a principal condecoração honorífica francesa e que foi concedida em 2001 ao presidente sírio, Bashar al Assad, que agora diz que "não se sente honrado" por isso.

Há dois dias, fontes da presidência francesa informaram à Agência Efe em Paris que a França se preparava para iniciar um processo disciplinar contra Assad para retirar-lhe a condecoração.

Segundo um comunicado do escritório de Assad, o Ministério das Relações Exteriores sírio devolveu a condecoração à França através da embaixada da Romênia em Damasco, que representa os interesses franceses neste país, já que Paris fechou sua delegação diplomática em 2012.

A nota explica que esta medida foi tomada depois da participação francesa "na agressão tripartite junto a Estados Unidos e Reino Unido contra a Síria no dia 14 de abril ".

No sábado passado, os três países bombardearam posições governamentais no território sírio, como represália por um suposto ataque químico ocorrido uma semana antes em uma área sob controle opositor perto de Damasco, pelo qual Washington, Paris e Londres acusaram o governo sírio.

A presidência síria assegurou que Assad "não se sente honrado por levar esta condecoração de um regime servo dos EUA, que apoia organizações terroristas na Síria e ataca um Estado-membro da ONU em violação flagrante dos fundamentos e princípios da lei internacional".

O comunicado ressalta que a Síria sempre respeitou as relações internacionais e o direito dos povos a decidir seu destino, razão pela qual "rejeita qualquer ditado internacional, especialmente se provém de regimes politicamente imaturos, sem experiência, sabedoria e decência".

Assad recebeu a Grã-Cruz em 2001 das mãos do então presidente francês, o conservador Jacques Chirac, que elogiou a atitude "reformista" do sírio.

Desde 2010, o código da Legião de Honra estabelece que a medalha pode ser retirada de estrangeiros "condenados por crimes ou com penas de prisão de pelo menos um ano", assim como se o sujeito tiver cometido atos contrários à honra. EFE