Bombardeios israelenses contra alvos iranianos na Síria deixam 10 mortos

Ben Simon
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Soldados israelenses perto da fronteira com o Líbano, em 11 de novembro de 2020
Soldados israelenses perto da fronteira com o Líbano, em 11 de novembro de 2020

Ao menos dez combatentes, incluindo três oficiais da defesa aérea síria e paramilitares estrangeiros, morreram nesta quarta-feira (18), segundo uma ONG, nos ataques de Israel na Síria em represália à descoberta de explosivos na fronteira de fato entre os dois países.

Entre os dez mortos, estavam cinco paramilitares "provavelmente de nacionalidade iraniana, que pertencem à Força Qods", afirmou o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

A Força Qods é uma unidade de elite da Guarda Revolucionária iraniana, responsável por operações no exterior.

Em um comunicado, o Exército israelense afirma que bombardeou "instalações de armazenamento, quartéis e complexos militares".

"Foram atingidas baterias sírias de mísseis terra-ar", destaca a nota.

Os bombardeios foram uma "resposta" à descoberta pelas tropas israelenses de "artefatos explosivos (...) colocados por esquadrões sírios liderados por forças iranianas" na fronteira de fato entre o Estado hebreu e Síria, na altura das Colinas de Golã. Israel ocupa essa área desde o fim da Guerra dos Seis Dias, em 1967.

De acordo com a agência oficial de notícias síria Sana, que cita uma "fonte militar", a "agressão aérea do inimigo sionista" matou três militares e feriu um soldado, além de ter provocado danos materiais.

A fonte afirmou que as baterias de defesa antiaéreas sírias foram acionadas para contra-atacar os disparos israelenses e conseguiram "derrubar um certo número de mísseis".

Desde o início da guerra na Síria, em 2011, Israel executou centenas de ataques aéreos contra o país vizinho, em particular contra as tropas iranianas e as forças do Hezbollah libanês mobilizadas em território sírio, assim como o Exército local.

O conflito sírio já provocou mais de 380.000 mortes e deixou milhões de deslocados.

Israel, que segue tecnicamente em guerra com a Síria, admitiu em várias ocasiões esses bombardeios individuais, mas alega que são uma resposta a ataques específicos contra seu território.

"Israel considera o regime sírio responsável por todas as ações executadas contra seu território e continuará atuando quando necessário contra a presença iraniana na Síria", afirmou o Exército.

O Irã é um aliado essencial do presidente sírio, Bashar al-Assad, e o apoia desde o início da guerra.

- Visita de Pompeo -

Os bombardeios de quarta-feira aconteceram poucas horas antes da chegada a Tel Aviv do secretário de Estado americano, Mike Pompeo, para uma visita que deve abordar, sobretudo, a questão iraniana.

Na segunda-feira (16), o jornal "The New York Times" informou que o presidente Donald Trump sondou vários conselheiros, na semana passada, sobre a possibilidade de atacar "nas próximas semanas" uma central nuclear iraniana.

De acordo com o jornal, os assessores "dissuadiram o presidente de prosseguir com um bombardeio militar".

Trump executa uma política denominada de "pressão máxima" contra o Irã. Nesse sentido, retirou os Estados Unidos do acordo internacional sobre a questão nuclear iraniana, assinado em 2015, e restabeleceu as sanções contra Teerã.

De acordo com analistas, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, está preocupado com a possibilidade de Joe Biden, que foi vice-presidente de Barack Obama, iniciar uma aproximação diplomática com o Irã e reintegrar o país no acordo nuclear internacional.

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