Bombardeios na região etíope de Tigré mataram mais de 80 civis (ONG)

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Refugiados etíopes que huyeron del conflicto en Tigré llegan al campamento Tenedba en Mafaza, en el este de Sudán, el 8 de enero de 2021

O Exército etíope matou ao menos 83 civis e deslocou milhares de pessoas ao bombardear zonas densamente povoadas nas primeiras semanas do conflito para desalojar as autoridades dissidentes da região de Tigré, afirmou nesta quinta-feira (11) a organização Human Rights Watch (HRW).

Ataques de artilharia pesada das tropas federais "atingiram residências, hospitais, escolas e mercados", de acordo com um relatório desta ONG, focado nas cidades de Mekele, Shire e Humera.

"No início da guerra, as forças federais etíopes dispararam fogo indiscriminado em áreas urbanas em Tigré, aparentemente com a intenção de matar e ferir civis", disse Laetitia Bader, diretora da HRW para a região do Chifre da África.

A Etiópia "deve autorizar rapidamente a presença de observadores das Nações Unidas em Tigré para documentar o comportamento dos atores neste conflito que devastou a vida de milhões de pessoas", acrescentou.

O primeiro-ministro etíope e Nobel da Paz de 2019, Abiy Ahmed, anunciou no final de novembro, quando o Exército federal assumiu o controle da capital regional Mekele, o fim oficial da operação militar iniciada no início do mesmo mês para derrubar as autoridades dissidentes de Tigré.

Mas organizações humanitárias e diplomatas enfatizam que a insegurança persiste na região e atrapalha a ajuda humanitária.

Depois dos combates mais intensos, que duraram todo o mês de novembro, Abiy Ahmed garantiu que o Exército "estava realizando a operação com a precisão e o cuidado necessários (...) para que os civis não fossem atacados".

No início de dezembro, seu gabinete disse que o Exército tomou Mekele sem causar vítimas civis ou danos à propriedade privada.

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