De Mistura acredita que oposição síria retornará às conversas de Astana

Astana, 3 mai (EFE).- O enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, manifestou nesta quarta-feira sua esperança de que a oposição armada da Síria voltará amanhã às negociações sobre o cessar-fogo no país árabe que acontecem em Astana, no Cazaquistão, e que delegação rebelde deixou nesta quarta-feira.

"Vou esperar para ver o que dizem. Espero que voltem, porque é importante pensar na possibilidade de reduzir a tensão", disse De Mistura aos jornalistas ao término do primeiro dia da quarta rodada de negociações na capital cazaque.

Assim como nas duas rodadas anteriores, o formato de negociação de Astana voltou a mostrar hoje sua ineficácia pela recusa da oposição armada para dialogar com o governo sírio e seus aliados enquanto não forem atendidas suas condições sobre o terreno.

"As conversações somente serão retomadas em caso de normalização da situação militar e com a interrupção dos bombardeios" contra posições rebeldes na Síria, disse Yahya al Aridi, o delegado em Astana do Comitê Supremo de Negociações, uma aliança da oposição armada e política da Síria, após deixar a mesa.

O líder rebelde também detalhou que a delegação da oposição "suspendeu, mas não cancelou, sua participação nas negociações", à espera de que o regime do presidente sírio, Bashar al Assad, e seus aliados cumpram as exigências.

"Cada vez que acontece uma reunião e negociações para pôr fim à violência acontecem alguns incidentes de uma ou de outra parte. O segredo é acabar com esses incidentes e, ao mesmo tempo, deixar viva a possibilidade para conseguir boas notícias", indicou De Mistura.

Além disso, o Ministério das Relações Exteriores do Cazaquistão assegurou que as partes reunidas em Astana - os três países garantidores do cessar-fogo (Rússia, Turquia e Irã), o governo e a oposição síria - "continuam trabalhando sobre o protocolo para reforçar o regime de cessar-fogo e o intercâmbio de prisioneiros".

De Mistura chegou ontem à capital cazaque para apoiar os esforços dos países garantidores do cessar-fogo e de outros participantes para "reduzir a intensidade dos enfrentamentos", detalhou seu escritório.

Os países do Conselho de Segurança da ONU reiteraram recentemente que Genebra se mantém como o centro das negociações políticas para pôr fim ao conflito sírio, enquanto em Astana são discutidos aspectos de ordem militar. EFE