Bombardeios em reduto jihadista na Síria matam 18 civis

Por Nazeer AL-KHATIB avec Hachem OSSEIRAN à Beyrouth
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Morador de Maaret al-Noomane após ataque aéreo do regime sírio, em 22 de maio

Ao menos 18 civis morreram nesta quarta-feira em ataques aéreos do regime contra o último reduto jihadista na Síria, na região noroeste do país, onde os combates já fizeram mais de 70 mortos em 24 horas.

A província de Idleb e partes das províncias vizinhas de Hama, Aleppo e Latakia, controladas por jihadistas do Hayat Tahrir Al Sham (HTS, ex-braço da Al-Qaeda), são palcos desde o final de abril de combates entre os extremistas e forças pró-regime, apoiadas pela Rússia.

Desde terça-feira à noite, os combates fizeram 70 mortos, segundo a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). Destes, 36 eram soldados do regime e 34 jihadistas.

Além disso, 18 civis morreram em ataques realizados durante a noite, incluindo 12 em um mercado na cidade de Maaret Al Numan.

O OSDH, que tem uma ampla rede de fontes no país, também citou 18 feridos nos bombardeios.

O ataque teve como alvo um mercado da região e foi conduzido pelo regime de Damasco, de acordo com a ONG.

Segundo testemunhas, a zona estava cheia, uma vez que muitos moradores estavam no mercado para a ruptura do jejum do Ramadã.

"Muitas lojas foram destruídas e o chão estava cheio de pedaços de corpos e de cadáveres", declarou à AFP Khaled Ahmad, proprietário de uma loja.

- Acordo ameaçado -

A Rússia, aliada do regime de Bashar al-Assad, atua na Síria desde 2015 e participa desde abril nos ataques contra a província de Idleb e seus arredores, que não estão sob controle de Damasco.

A província, último reduto jihadista, foi objeto de um acordo entre Moscou e Ancara em uma "zona desmilitarizada" para evitar uma grande ofensiva.

Mas desde o fim de abril, as forças do regime sírio e da Rússia intensificaram os ataques aéreos contra alguns setores sob controle do HTS em Idleb e na província vizinha de Hama.

Ao menos 180 civis morreram desde 30 de abril em consequência dos confrontos, de acordo com o OSDH.

Nesta quarta, os combates eram travados no norte da província de Hama. Segundo o OSDH, o grupo jihadista tomou a maior parte da cidade de Kafr Nabuda.

Essa nova escalada de violência faz temer o fim do acordo russo-turco.

Na terça, o ministro turco da Defesa, Hulusi Akar, acusou o regime sírio de ameaçar o acordo de cessar-fogo.

"O regime faz tudo para mudar o status quo, inclusive utilizando barris de explosivos e conduzindo uma ofensiva terrestre e aérea", declarou Akar à imprensa.

- Ataque químico não confirmado -

Na sexta-feira passada, a ONU soou o alarme sobre o risco de uma "catástrofe humanitária" em Idleb durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança.

Segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), mais de 200.000 pessoas fugiram dos combates na região.

O Escritório também denunciou que os ataques russos e sírios atingiram 20 centros médicos - dos quais 19 já estão fora de serviço -, além de 17 escolas e três campos de deslocados.

A região é o lar de mais de três milhões de pessoas que vivem em condições particularmente difíceis. Metade são deslocados que fugiram de outros redutos rebeldes recuperados nos últimos anos pelo regime.

"Apesar de nossas repetidas advertências, nossos piores temores estão se tornando realidade", disse o porta-voz do OCHA, David Swanson.

O governo sírio, com o apoio de Moscou e Teerã, recuperou nos últimos ano o controle sobre quase 60% do país.

Na terça-feira, os Estados Unidos relataram "indícios" de que Damasco havia conduzido um novo "ataque" químico dois dias antes no reduto jihadista, ameaçando com represálias.

O OSDH, porém, afirmou não ter "provas" de um suposto ataque com cloro.