Bombardeios do regime e de forças turcas matam 30 civis na Síria

Mercado de Maaret al Numan após um bombardeio, na província síria de Idlib, em 2 de dezembro de 2019

Trinta civis morreram nesta segunda-feira (2) em bombardeios na Síria, 13 deles em ataques do regime em um mercado na província de Idlib, sacudida pelos combates mais violentos em três meses de trégua entre as forças do governo e rebeldes e jihadistas.

Na província vizinha de Aleppo, em Tal Rifaat, cidade controlada pelos curdos, pelo menos 11 civis, entre eles oito menores de 15 anos, morreram em bombardeios turcos, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

No noroeste da Síria, 19 civis morreram nesta segunda-feira em bombardeios do regime e seu aliado russo na província de Idlib, dominada por jihadistas, segundo o OSDH. Pelo menos 101 combatentes morreram.

Os ataques atingiram sobretudo o mercado de Maaret al Numan, deixando 13 mortos, segundo a mesma fonte.

Diante do metal retorcido e lojas destruídas, foram encontrados corpos em meio aos escombros e levados em ambulâncias, segundo um correspondente da AFP.

"Nos refugiamos em nossas lojas, nos johamos no chão", conta Maher Mohamed, vendedor de 35 anos. "A aviação bombardeou metade da reserva, nossos vizinhos estão mortos, sete ou oito deles", continua.

Em outras partes da província, quatro civis morreram em bonbardeios russos, segundo o OSDH, entre eles uma mulher e seus dois filhos que visitavam um familiar em uma prisão atingida por bombas.

A província de Idlib é controlada por jihadistas do grupo Hayat Tahrir al Sham (HTS), ex-braço sírio da Al Qaeda.

Esta região e alguns setores vizinhos das províncias de Aleppo, Hama e Latakia fogem do controle do governo sírio.

Apesar da trégua anunciada em 31 de agosto, os combates terrestres prosseguiram, em um primeiro momento de forma esporádica e nas últimas semanas de forma mais intensa.

Desde o início do cessar-fogo, 160 civis, incluindo 45 crianças, morreram nos bombardeios, principalmente governamentais, segundo o OSDH.

Em outubro, o presidente sírio Bashar al-Assad fez sua primeira visita à província desde o início da guerra em 2011.

Desde o início do conflito sírio, 370.000 pessoas morreram e milhões foram obrigadas a abandonar suas casas.