Exército russo acusa R.Unido de orquestrar suposto ataque químico em Douma

Moscou, 13 abr (EFE).- Os militares da Rússia acusaram nesta sexta-feira o governo do Reino Unido de ter participado da montagem do suposto ataque com armas químicas na cidade de Douma, na Síria, do qual os países ocidentais responsabilizam o regime sírio.

"O Ministério da Defesa da Rússia dispõe de provas que evidenciam a participação direta da Grã-Bretanha na organização desta provocação em Ghouta Oriental", declarou o porta-voz do ministério, Igor Konashenkov, em comunicado.

Segundo o porta-voz, os militares têm gravações com entrevistas com moradores da cidade onde "eles contam em detalhe como foi feita a montagem, em quais episódios participaram e o que fizeram".

"Essas pessoas não escondem seus nomes. Não se trata de mensagens impessoais nas redes sociais e de ativistas anônimos. São, reitero, participantes diretos na gravação dos vídeos falsos (de Douma)", ressaltou o general russo.

"No mundo civilizado, fatos como esses são considerados provas, e não acusações infundadas e irresponsáveis que são divulgadas para classificar e difamar as autoridades de outros países ", acrescentou Konashenkov.

O porta-voz do Ministério da Defesa garantiu que os militares russos "sabem com certeza" que, entre os dias 3 e 6 de abril, os chamados "capacetes brancos" (a ONG Defesa Civil da Síria que denunciou o ataque em Douma) foram "fortemente pressionados" por Londres com o objetivo de acelerar a encenação da montagem.

Com isso, Konashenkov reiterou o interesse da Rússia em uma investigação "objetiva e independente" do que ocorreu em Douma no sábado passado.

Além disso, o general assegurou que as forças russas estão dispostas a garantir "a segurança e as condições propícias" para o trabalho dos especialistas da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) no local do suposto ataque.

"Estamos convencidos de que a postura responsável da Opaq permitirá reduzir a tensão na região para conservar assim a frágil paz que tem sido imposta na Síria ", concluiu Konashenkov.

Anteriormente, o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, assegurou que seu país tem "provas irrefutáveis" de que o suposto ataque químico no qual teriam morrido dezenas de pessoas, foi uma "montagem", organizada por um país "na vanguarda da campanha de russofobia".

A Rússia defende que as acusações do uso de armas químicas em Douma por parte das forças governamentais sírias são uma tentativa de justificar uma intervenção militar no país árabe e adverte que as consequências de um possível ataque contra o país árabe seriam "graves". EFE