ONU informa desaparecimento de 10 trabalhadores humanitários no Sudão do Sul

Juba, 26 abr (EFE).- Dez trabalhadores humanitários do Sudão do Sul desapareceram nos arredores da cidade de Yei, ao sul da capital do país, Juba, informou nesta quinta-feira o Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA, na sigla em inglês).

Em comunicado, a ONU indicou que o comboio no qual viajavam os dez voluntários saiu ontem de Yei, no estado de Ecuatoria Central, em direção à cidade de Tore para realizar uma avaliação humanitária no local.

"Estamos profundamente preocupados com o paradeiro destes voluntários e procuramos urgentemente informações sobre o seu bem-estar", disse o coordenador humanitário da ONU para o Sudão do Sul, Alain Noudéhou.

Os dez voluntários, todos oriundos do Sudão do Sul, trabalham para o OCHA, o Unicef, a Organização de Desenvolvimento do Sudão do Sul (SSDO), Plano Internacional, Action Africa Help (AAH) e a associação ACROSS.

"Condeno firmemente o último ataque contra os companheiros comprometidos com a assistência humanitária urgente em Ecuatoria Central e chamo todas as partes do conflito no Sudão do Sul para que garantam o ambiente com o objetivo de levar a distribuição de assistência", disse o responsável da ONU.

Este é o segundo incidente que ocorre no mês de abril no qual grupos armados retêm voluntários, e o terceiro em seis meses, indica o comunicado.

No Sudão do Sul, 98 trabalhadores humanitários morreram desde dezembro de 2003, segundo as últimas estatísticas da ONU.

O conflito no Sudão do Sul explodiu em dezembro de 2013 entre as forças do presidente, Salva Kiir, da etnia dinka, e as do seu então vice-presidente, Riek Machar, da tribo nuer, e ambas as partes chegaram a um acordo de paz em 2015 que levou à criação de um governo de unidade, mas em 2016 a violência reapareceu.

Um novo acordo de cessação de hostilidades entrou em vigor em 24 de dezembro do ano passado, mas desde então tanto o governo quanto a oposição se acusaram mutuamente da continuação dos ataques e o pacto ficou só no papel. EFE