Testemunha defende Bill Cosby e afirma que acusações de abusos são falsas

Washington, 19 abr (EFE).- Uma testemunha defendeu Bill Cosby, ícone da cultura popular dos Estados Unidos, nesta quarta-feira no julgamento contra o comediante na corte de Norristown (Pensilvânia) e garantiu que as acusações de abusos sexuais são falsas.

A testemunha é Marguerite Jackson, que trabalhava na Universidade de Temple (Pensilvânia) junto com a canadense Andrea Constand, a mulher que conseguiu levar Cosby aos tribunais.

O testemunho de Jackson, que trabalha na Universidade de Temple como assessora acadêmica, era um dos mais esperados no julgamento de Cosby, que já foi julgado em junho de 2017, mas não houve veredito porque o júri foi incapaz de colocar-se de acordo e o processo foi declarado nulo.

Jackson assegurou que Constand, que treinava a equipe de basquete da universidade, lhe confessou em um quarto de um hotel de Rhode Island que Cosby nunca abusou dela.

"Ela disse que não ocorreu", declarou Jackson, que acrescentou que Constand lhe admitiu que tinha a intenção de inventar uma história para conseguir dinheiro de Cosby.

O ator foi acusado de abusos sexuais por mais de 60 mulheres, embora esteja sendo julgado apenas pelo caso da canadense.

Constand assegura que, em uma noite no início de 2004 Cosby, que agora tem 80 anos, convidou-a para sua mansão de Cheltenham (Pensilvânia) e lhe deu pastilhas que a deixaram semiconsciente e sem possibilidade de lutar contra os abusos do ator.

Os dois se conheceram em 2001 enquanto ela treinava a equipe de basquete da Universidade de Temple e Cosby fazia parte do patronato do centro educativo.

Cobsy alega que a relação com Constand foi consentida e que usava drogas como chamariz para atrair as mulheres, mas nunca como ferramenta para incapacitá-las.

Por esses fatos, Constand denunciou Cosby em 2005, mas o ator alcançou um acordo com a promotoria da Pensilvânia para indenizar a mulher pela via civil e evitar um processo criminal.

Durante o julgamento que está acontecendo nestes dias em Norristown, foi revelado que Cosby pagou US$ 3,38 milhões a Constand como parte desse acordo civil.

O ator ganhou a alcunha de "papai da América" pelo seu papel de doutor Cliff na famosa série "The Cosby Show", um programa da década de 1980 que mostrava a vida de uma família negra de classe média e que rompia com os estereótipos com os quais os afro-americanos eram retratados até então na televisão.

Agora, no entanto, Cosby enfrenta acusações por três crimes de abuso sexual, que acarretam cada um deles uma pena máxima de 10 anos de prisão e uma multa de US$ 25.000. EFE