Bombardeios russos na Síria deixaram mais de 2.300 mortos em 3 meses

Destruição na província síria de Idleb em 21 de dezembro após ataque atribuído aos aviões russos

Os bombardeios aéreos russos na Síria deixaram em três meses 2.371 mortos, entre os quais um terço de civis, afirmou nesta quarta-feira o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

No total, 655 jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI) e 924 combatentes da Frente Al Nosra, facção síria da Al-Qaeda, e outros grupos rebeldes morreram nos ataques russos, que começaram em 30 de setembro passado a pedido do governo sírio de Bashar al Assad.

Os ataques russos mataram 792 civis, dos quais 180 menores de 18 anos, e 116 mulheres, indicou a ONG baseada em Londres e que dispõe de uma ampla rede de informantes na Síria.

A Rússia afirma que os bombardeios visam ao Estado Islâmico e outros grupos terroristas contrários a Assad.

No entanto, os Estados Unidos já alertaram que alguns civis foram vítimas dos bombardeios russos indiscriminados, o que foi veementemente negado por Moscou.

O secretário de Estado americano, John Kerry, conversou com seu colega russo, Sergei Lavrov, na segunda-feira e expressou as preocupações de Washington.

O porta-voz do Departamento de Estado, Mark Toner, citando relatos de "organizações de direitos humanos confiáveis", disse que "os ataques russos na Síria mataram centenas de civis, incluindo serviços de emergência e atingindo instalações médicas, escolas e mercados".

Toner acrescentou que entre outubro e meados de novembro mais de 130.000 sírios foram forçados a deixar suas casas, em parte por causa da intensidade dos bombardeios russos.

O ministério russo da Defesa classificou as declarações americanas de absurdas e infundadas.

"Todas essas declarações infundadas sobre a suposta utilização da aviação russa contra objetivos civis na Síria nos recordam cada vez mais a atuação de um hipnotizador de circo ambulante", ironizou o ministério em um comunicado.

Moscou já havia negado veementemente os relatórios da Anistia Internacional, a Human Rights Whatch e de grupos de direitos humanos sírios que argumentavam que a campanha aérea em apoio ao presidente Bashar al-Assad atingia civis.

A Rússia insiste que suas operações são direcionadas para os "terroristas" e que tem o cuidado de proteger os civis, enquanto trabalha com os Estados Unidos e as Nações Unidas para negociar um fim para a guerra.

Mas Toner disse que os Estados Unidos expressaram preocupações a Moscou sobre "estes ataques indiscriminados (...) contra infra-estruturas, instalações médicas, civis".

Kerry também lamentou a morte do líder rebelde Allush Zahran, atingido por um bombardeio do regime.

Zahran Allush era líder do Jaish al-Islam (Exército do Islã), principal grupo armado da região da capital, apoiado pela Arábia Saudita e a favor das negociações de paz.

Mais de 250.000 pessoas morreram desde o início do conflito sírio em 2011.

Milhões tiveram de abandonar seus lares, fugindo para o exterior ou para outras zonas do país.