Bombeiro preso no RJ por financiar atos terroristas em Brasília foi candidato a deputado federal em 2018

Preso por suspeita de organizar e financiar os atos terroristas que culminaram na depredação da sede dos Três Poderes no último dia 8, o subtenente do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro Roberto Henrique de Souza Júnior, de 52 anos, foi candidato a deputado federal nas eleições de 2018. À época, o bombeiro lotado em Guarus, no Norte Fluminense, disputou o pleito pelo Patriota, partido ligado à base do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sob a alcunha de "Júnior Bombeiro". Nesta segunda-feira, ele foi preso em casa, em Campos dos Goytacazes.

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Em agosto do ano passado, ele foi condenado pela Justiça Eleitoral por mau uso do fundo partidário. De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral do Rio, o então candidato não prestou suas contas de campanha, motivo pelo qual foi obrigado a devolver R$ 4 mil.

Ao GLOBO, o Corpo de Bombeiros do Rio informou que acompanha de perto a Operação. De acordo com a corporação, Roberto Henrique de Souza Júnior será conduzido ainda hoje ao Grupamento Especial Prisional da (GEP), em São Cristóvão, onde ficará à disposição da Justiça.

— O Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro repudia veementemente quaisquer atos que ameacem o Estado Democrático de Direito. Será instaurado, ainda hoje, um Inquérito Policial Militar para apurar a participação do bombeiro da corporação em ataques contra o patrimônio público e em associações criminosas visando à incitação contra os poderes institucionais estabelecidos, o que é inadmissível — afirmou o secretário de Estado de Defesa Civil e comandante-geral do CBMERJ, coronel Leandro Monteiro.

Dos três mandados de prisão expedidos pela 7° Vara Criminal do Rio de Janeiro, a Polícia Federal conseguiu cumprir apenas o de Roberto, os outros dois supostos financiadores dos "atos que desencadearam a depredação dos prédios públicos e dos atentados contra as instituições democráticas" não foram localizados.

Também são cumpridos cinco mandados de busca e apreensão. A PF informou que aparelhos de telefone celular, computadores e documentos foram recolhidos em endereços ligados aos suspeitos.

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De acordo com a PF, a investigação visava identificar as lideranças locais que bloquearam as rodovias que passam pelo município. Tratam-se das mesmas pessoas que organizaram manifestações em frente aos quartéis do Exército situados na cidade. Os suspeitos são investigados pelos crimes associação criminosa e incitação das Forças Armadas contra os poderes institucionais.

Ataques em Brasília

A invasão de manifestantes golpistas às sedes do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Palácio do Planalto em 8 de janeiro deixou um rastro de destruição. Milhares de pessoas marcharam para a Praça dos Três Poderes e conseguiram entrar facilmente nos prédios públicos.

A ação foi planejada previamente e anunciada nas redes sociais, mas quase nada foi feito para evitá-la. Uma vez dentro dos palácios, os invasores contaram com a colaboração de agentes de segurança.