Bombeiros confirmam 5ª morte em desabamento de prédio em Fortaleza

Bombeiros confirmaram a 5ª morte no desabamento do Edifício Andrea, em Fortaleza. (Foto: LC Moreira/Futura Press)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Corpo da 5ª vítima fatal foi retirado dos escombros do Edifício Andrea, em Fortaleza

  • As equipes de busca continuam tentando localizar cinco pessoas que, segundo parentes, estavam no interior do prédio

O Corpo de Bombeiros do Ceará confirmou, no início da tarde desta quinta-feira (17), o resgate de mais um corpo dos escombros do Edifício Andrea, que desabou na última terça-feira (15), em Fortaleza. A vítima é uma mulher ainda não identificada.

Com isso, subiu para cinco o número de mortes já confirmadas pelas autoridades. Três das vítimas já foram identificadas. São elas Antônio Gildasio Holanda Silveira, de 60 anos, cujo corpo foi encontrado esta manhã; Frederick Santana dos Santos, de 30 anos; e Izaura Marques Menezes, de 81 anos.

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As equipes de busca continuam tentando localizar cinco pessoas que, segundo parentes, estavam no interior do prédio no momento do acidente. Só hoje, cerca de 250 bombeiros estão trabalhando nos resgates das vítimas – operação na qual estão sendo empregados cinco cães farejadores, além de equipamentos como drones, utilizados na varredura da área, uma plataforma mecânica. O drone sobrevoa os escombros para identificar áreas de calor, que mostram possíveis vítimas.

A Polícia Civil instaurou inquérito policial para apurar as circunstâncias do desabamento do Edifício Andrea e as eventuais responsabilidades. Testemunhas já foram ouvidas, e as apurações estão em andamento.

ASSISTA AO VÍDEO DO MOMENTO DO DESABAMENTO

INVESTIGAÇÃO

O prefeito da cidade de Fortaleza (CE), Roberto Cláudio, prometeu que a sociedade terá uma “resposta clara a respeito das responsabilidades de pessoas envolvidas no acidente”. De acordo com o prefeito, órgãos de fiscalização urbana não tinham nenhuma informação sobre obras em andamento no edifício.

Este é o segundo caso de desabamento na capital cearense. No início de junho, outro condomínio residencial sofreu danos estruturais em um desabamento parcial, e foi demolido pela prefeitura. O prédio ficava no bairro de Maraponga.

Na noite de terça, a Prefeitura de Fortaleza se manifestou apontando que o prédio foi construído de maneira irregular. De acordo com a prefeitura, havia um casa no lugar do Edifício Andrea até o ano de 1995. Exatamente por ser irregular, a construção não apresenta registros oficiais, de acordo com a própria Prefeitura.

O prédio tinha 14 apartamentos, sendo 2 por andar, e estavam ocupados no momento do desabamento, ocorrido por volta das 10h20. No fim da tarde de terça-feira, o Corpo de Bombeiros disse que trabalha com a possibilidade de que 18 pessoas estivessem no local no momento do desabamento. O número foi estipulado de acordo com as informações prestadas por familiares dos moradores do edifício.

ESTRUTURA PRECÁRIA

Um vídeo que circula nas redes sociais revela a estrutura de pilastras que supostamente seriam do prédio. O vídeo, segundo o jornal O Povo Online, seria de uma moradora do prédio e teria sido gravado na segunda-feira (14). Nele, são mostradas as estruturas de duas pilastras que seriam do edifício residencial, envoltas em sacos plásticos e com vigas de ferro à mostra. A moradora, ainda segundo O Povo Online, enviou o vídeo na noite de segunda em um grupo de WhatsApp.

CONSELHO DE ENGENHARIA

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-CE) também criou uma comissão para analisar a situação legal da construção. O presidente do conselho, Emanuel Maia Mota, reafirmou que, na segunda-feira (14), véspera do desabamento, o engenheiro civil José Andreson Gonzaga dos Santos registrou, no conselho, uma ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) relativa a uma reforma no prédio. A ART é o documento que define os responsáveis técnicos por qualquer empreendimento de engenharia, arquitetura e agronomia.

Mota disse ainda não saber se o serviço previsto chegou a ser iniciado. Segundo ele, o Crea já tentou fazer contato com o engenheiro civil a fim de obter mais informações, mas não o localizou.

“O telefone que temos registrado não atende às chamadas. Mandamos um ofício para o endereço do cadastro e estamos aguardando uma resposta, um contato, pois precisamos esclarecer uma série de dúvidas”, disse Mota, acrescentando que o engenheiro civil está em situação regular e solicitou o registro profissional há poucos meses.

da Agência Brasil