Bonito, no MS, lidera lista de desmatamento na Mata Atlântica

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SÃO PAULO — Duas cidades do Mato Grosso do Sul, famosas pelo ecoturismo, estão entre as 10 que mais desmataram o bioma Mata Atlântica entre 2019 e 2020, segundo dados do Atlas dos Municípios da Mata Atlântica, estudo divulgado pela Fundação SOS Mata Atlântica, feito em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

No período observado, Bonito, que atrai por rios e cachoeiras de águas cristalinas, desmatou 416 hectares, o que corresponde a mais de um campo de futebol por dia. Miranda, porta de entrada para pescas no Pantanal e turismo voltado à observação da vida selvagem, destruiu outros 216 hectares.

— Cortar floresta é um tiro no pé. São regiões que dependem da floresta. É ela que garante a água, seja para turismo, fauna ou pesca — afirma Luís Fernando Guedes Pinto, diretor de Conhecimento da SOS Mata Atlântica.

Segundo ele, assim como na Amazônia, a Mata Atlântica também tem sido devastada para ampliação das fronteiras do agronegócio, seja criação de gado ou plantação de grãos.

Em Minas Gerais, onde estão cinco dos 10 municípios que mais desmataram o bioma no período, tem ainda um uso intermediário da madeira, que é fazer o carvão que abastece altos fornos para produção de ferro. A etapa seguinte é o gado e a agricultura. Os municípios mineiros de Águas Vermelhas, Montalvânia, Pedra Azul, Ponto dos Volantes e Francisco Sá destruíram, somados, 1.327 hectares entre 2019 e 2020. Completam a lista três municípios da Bahia — Wanderley, Cotegipe e Encruzilhada. Dois deles ficam na área de produção agrícola, conhecida como Matopiba.

Juntas, as 10 cidades responderam por 21% do desmatamento identificado no bioma, de 13 mil hectares em todo o país, divulgado em maio passado.

O diretor da SOS Mata Atlântica afirma que o bioma tem sido afetado pelo discurso antiambientalista do governo federal, que incentiva desmatamentos, mas que os governos estaduais também não estão se empenhando em evitar a destruição. A maioria do desmatamento, segundo ele, é ilegal. Nas grandes cidades, onde não há agronegócio para consumir a mata, o problema é a especulação imobiliária devido à expansão desordenada das cidades, que avançam sobre áreas que deveriam ser preservadas.

— A agenda da Mata Atlântica deveria ser a de restauração, mas a destruição segue em patamar alto, na contramão do que se espera. Existem os grandes desmatamentos, mas a soma dos pequenos também preocupa, porque eles atingem principalmente áreas de mananciais, como na cidade de São Paulo.

Guedes Pinto ressalta ainda que a seca que atinge estados do Sul e do Sudeste, provocando dificuldade no abastecimento de água e na produção de energia elétrica, deveria servir como alerta para conter o desmatamento. Mas não é o que acontece.

— Uma das razões para a falta d'água é o desmatamento. O Paraná, por exemplo, enfrenta racionamento, mas segue desmatando. Deveríamos estar plantando, não cortando as árvores — assinala.

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