Bordadeiras que fizeram vestido de noiva de Janja já sonham com look da primeira-dama na posse de Lula: 'Remeta ao país e ao amor'

Entre os 60 milhões de brasileiros que votaram para eleger Luiz Inácio Lula da Silva presidente do país, cerca de 800 mulheres tinham um motrivo a mais para apertar o 13 nas urnas eletrônicas. Bordadeiras de Timbaúba dos Batistas, município do Rio Grande do Norte, viram sua realidade mudar antes mesmo do pleito. Seis delas foram as responsáveis pelos bordados do vestido de noiva de Janja Lula da Silva e, claro, sonham em fazer também o da posse como primeira-dama ao lado do marido, no próximo 1º de janeiro.

“A gente sonha, pensa. Se precisar, estaremos a postos”, avisa Valdineide Dantas, a Patinha, uma das que se debruçaram sobre o vestido de Janja, desenhado pela estilista Helô Rocha, que já trabalha com essas nordestinas desde 2017.

A roupa, toda em organza na cor off white, ganhou bordados que misturam a técnica de ponto cheio, Richelieu (que tem efeito semelhante ao de uma renda) e sombreado, tudo feito artesanalmente em máquinas de pedal ainda. "Eram 14 nesgas no modelo. Em cada uma delas tinha um bordado contando a história do sertão", recorda Patinha.

Depois do casamento e da divulgação do trabalho delicado das artesãs, elas receberam autorização de Lula e Janja, que visitaram as profissionais na capital Natal, para reproduzirem e venderem as lembrancinhas do enlace: um bastidor de madeira, redondo com a frase "O amor venceu", vendidos a R$ 175 cada. "Antes mesmo do resultado da eleição no domingo, um pouco antes do Lula virar, a gente recebeu quatro encomendas", conta a bordadeira, orgulhosa.

Com isso, não só as responsáveis pelo vestido ganharam o mundo, como todo o restante da comunidade. Na cidade de pouco mais de 2,4 mil habitantes, a quatro horas da capital, a maioria dos lares é mantida pelas mulheres e seu ofício com as linhas, passado de geração para geração. "Mudou tudo pra gente. Estamos trabalhando com mais estilistas, tem gente do Brasil todo querendo saber o que fazemos e a vida das bordadeiras melhorou depois que aconteceu o casamento", enumera Patinha, que vislumbra o vestido da posse: "Uma coisa colorida, bem Brasil, que remeta ao país e ao amor".