Boric cita desafios no Chile e quer anunciar equipe de governo em um mês

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Presidente do Chile, Sebastian Piñera, recebe o presidente eleito, Gabriel Boric, em Santiago

Por Natalia A. Ramos Miranda e Anthony Esposito

SANTIAGO (Reuters) - O presidente eleito do Chile, Gabriel Boric, disse nesta segunda-feira que está ciente dos "tremendos desafios" que irá enfrentar em seu governo e reafirmou que irá conduzir as reformas "passo a passo" para proteger a economia.

Eleito em um pleito que contou com comparecimento histórico e com seu triunfo sendo celebrado amplamente pela esquerda chilena e latino-americana, Boric se reuniu na tarde desta segunda no palácio presidencial de La Moneda com o atual presidente, Sebastián Piñera, a quem irá suceder a partir do dia 11 de março.

Boric disse que espera anunciar os integrantes de sua equipe de governo dentro de um mês.

"Hoje em dia estamos mais conscientes dos tremendos desafios que vamos ter que abordar", disse Boric ao fim de uma reunião com Piñera para coordenar a transição de poder, insistindo que seu governo terá "um compromisso com a convergência fiscal".

"Isso é algo que conversamos com nossa equipe de assessores acadêmicos e econômicos, e é algo que mantenho, não foi uma estratégia meramente eleitoral, e sim uma convicção. O Chile precisa ter contas transparentes, uma macroeconomia organizada, ou se não as reformas que poderiam ser feitas podem acabar retrocedendo", afirmou.

Consultado sobre os nomes que considera para seu futuro ministério, Boric disse que Piñera havia nomeado sua equipe de trabalho cerca de um mês depois de sua eleição, e que esperava "não superar esse prazo".

"Não temos neste momento nomes que eu possa tornar públicos", disse o presidente eleito. "Faremos tudo o que for possível para que os processos sejam rápidos".

Milhares de pessoas celebraram nas ruas até as primeiras horas desta segunda a vitória categórica de Boric, de 35 anos, que será o presidente eleito mais jovem da história do país sul-americano. Ao completar 36 anos em fevereiro, ele também será o presidente mais jovem na história do Chile.

O ex-dirigente estudantil, que liderou uma onda de protestos da juventude há uma década e lidera uma coalizão de partidos de esquerda que se comprometeu a reformar o modelo econômico chileno, derrotou com firmeza o rival ultraconservador José Antonio Kast, que reconheceu rapidamente sua derrota após as primeiras contagens oficiais.

A campanha que precedeu as eleições foi a mais polarizada no maior produtor mundial de cobre nas últimas três décadas, desde a queda da ditadura de Augusto Pinochet, mas, finalmente o parlamentar de esquerda apoiado por uma aliança que inclui o Partido Comunista se impôs com 55,85% dos votos.

A vitória simbolizou outra vitória para a esquerda latino-americana, e reforçou a tendência na região, onde a pobreza escancarada pela pandemia de coronavírus fez os eleitores se inclinarem para líderes que promovam Estados de maior tamanho e com mais gastos sociais.

O crescimento de Boric e a polarização da campanha sacudiram os mercados do Chile e levaram a alertas na importante indústria de mineração do país, preocupada com a retórica sobre o encerramento do modelo econômico neoliberal, de forte abertura aos mercados internacionais, para abrir caminho para aumentos de impostos e endurecimento da legislação ambiental.

Em seu discurso de vitória no domingo, o presidente eleito fez referência aos direitos dos indígenas, igualdade de gênero e proteção do meio ambiente, prometendo também ampliar os direitos sociais, mas com "responsabilidade fiscal".

(Reportagem adicional de Fabián Cambero)

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