Boric, da esquerda, é eleito presidente do Chile; Kast reconhece derrota

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A apuração da eleição presidencial deste domingo no Chile confirmou a vitória clara de Gabriel Boric, da coalizão de esquerda Aprovo Dignidade (integrado pela sua Frente Ampla e outros partidos como o Comunista), que obteve quase 56% dos votos, contra pouco mais de 44% de José Antonio Kast, da aliança de extrema direita Frente Social Cristã.

Em sua conta na rede social Twitter, o candidato da direita radical reconheceu a derrota e confirmou ter se comunicado com Boric "por seu grande triunfo. Desde hoje, ele é presidente do Chile e merece todo nosso respeito e uma colaboração construtiva. O Chile sempre está primeiro".

Em conversa telefônica com o presidente Sebastián Piñera, o presidente eleito afirmou que "vou dar o melhor de mim para encarar este tremendo desafio". A ligação do presidente em exercício para o presidente eleito é uma tradição da política chilena. Piñera disse a Boric que "todos esperam muito de você, os que o votaram e os que não votaram também".

Já o presidente eleito enfatizou que "serei o presidente de todos os chilenos... vamos buscar acordos com todos. Que vivam as instituições republicanas e que viva o Chile". Ambos terão uma reunião de trabalho no Palácio de la Moneda nesta segunda-feira.

No Twitter, Boric também se manifestou: "Somos unidade. Somos esperança. Somos mais quando estamos juntos. Seguimos!"

Boric foi o candidato mais votados no exterior, com mais de 80% dos votos depositados fora do país, vencendo em países como China e Austrália. Na capital, Santiago, o ex-dirigente estudantil de 35 anos venceu em amplos setores da cidade, sendo derrotado por Kast apenas em bairros de classe média alta e alta, como Las Condes.

— Obrigada a cada um dos partidos políticos que nos apoiaram. Temos pela frente grandes desafios — disse Kast, em discurso em seu comando de campanha em Santiago.

No primeiro turno, Kast, de 55 anos, ficou em primeiro lugar, com 27,9% dos votos, contra 25,8% de Boric. A participação então foi uma das mais baixas das últimas eleições, ficando em apenas 47%.

— Somos novas gerações que entram na política com as mãos limpas, o coração quente, mas com a cabeça fria — declarou Boric, após votar na região de Punta Arenas, no Sul do Chile.

Kast, que emitiu seu voto na região rural de Paine, onde mora, nos subúrbios da capital, antecipou uma eleição “estreita” e voltou a dizer que o resultado poderia ser definido pelos Conselhos Eleitorais, encarregados de analisar os votos após a apuração feita pelo Servel, caso algum dos candidatos peça uma revisão. Para surpresa de muitos e contrariando a maioria das pesquisas divulgadas nas últimas semanas, a diferença a favor de Boric foi ampla.

Piñera, por sua vez, pedira a participação dos cerca de 15 milhões de eleitores chilenos, porque “hoje se apaga a voz dos candidatos e se ouve a voz das pessoas”.

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